Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Feminista, ativista e com muita polêmica

Moradora de Moema, Sara Giromini representa no Brasil grupo que se popularizou na Europa ao protestar de seios de fora

Pablo Pereira, de O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2012 | 03h06

Ela tem 20 anos, 1,55 metro de altura, 55 quilos, olhos castanho-escuros e cabelo tingido de loiro. Tem pele clara, usa batom vermelho-sangue e gosta de mostrar os seios na rua quando quer protestar contra o que julga injusto. Sara Winter não se acha uma exibicionista, fútil, nem extremista ou doida. Ao contrário. Quer ser vista como guerreira, uma ativista.

Na verdade, Sara Winter é uma personagem criada por Sara Fernanda Giromini, paulista de São Carlos, para bombar sua militância no movimento feminista Femen. Criado na Ucrânia, o Femen se popularizou na Europa por manifestações nas quais usa o topless para atrair atenção da mídia e chocar a sociedade - e consegue.

Na semana passada, Sara foi uma das seis pessoas detidas diante do consulado russo em São Paulo durante protesto contra a prisão do grupo punk Pussy Riot. As punks russas foram detidas após criticar o presidente Vladimir Putin (leia mais ao lado).

"O nosso protesto em São Paulo teve ótima repercussão", disse Sara ao Estado, um dia depois de ter sido presa por desfilar seminua na calçada da Avenida Lineu de Paula Machado, no Jardim Guedala, e de jogar líquido colorido nos muros da representação diplomática russa.

Arrastada para dentro de um camburão gritando palavras de ordem contra Putin - e vestindo somente calcinha e tênis -, ela foi levada para a Delegacia Especializada em Atendimento ao Turista (Deatur), onde prestou depoimento e foi liberada. "Mas deverá responder na Justiça por importunação ofensiva ao pudor e danos a patrimônio", explicou o delegado Aloísio Pires de Araújo.

Para o motorista Reinaldo Leite, que transportou Sara e outras duas mulheres no trajeto entre a Avenida do Cursino e o Jardim Guedala, local do protesto, a coisa estava estranha desde o início. "Eu não sabia quem eram elas", afirmou Leite à polícia. Ao entrarem na van, as ativistas já estavam mascaradas, carregavam cartazes e garrafas e intrigaram Leite. Fizeram a viagem ensaiando gritos que o motorista não entendia. Logo que chegaram ao consulado, ainda na van, para surpresa de Leite, começaram a se despir e saíram pela rua gritando insultos contra os russos.

Feminista. Sara vive em Moema e já foi aluna do curso de Relações Internacionais na Faculdade Santa Marcelina. Mas trancou a matrícula em 2011 após três semestres de estudos. "Não tinha como pagar, mas minha meta é voltar a estudar."

Dedicada ao Femen, que conheceu na internet em 2011, Sara assina com o nome verdadeiro uma conta bancária, divulgada na página do Femen no Facebook, para receber ajuda. Encantada com o engajamento político das ucranianas, ela foi àquele país aprender como arrecadar recursos e planejar protestos. Descobriu que elas se sustentam com doações e a venda de camisetas, fórmula que repete no Brasil.

Em busca de apoio para sua causa, Sara já mostrou os seios no vão do Masp, acompanhada pela amiga Bruna Themes, em protesto contra a política de saúde da mulher. Ela contou que agora seu grupo não pretende voltar a protestar no caso das Pussy Riot. Querem dedicar-se à consolidação do Femen no Brasil (que escrevem com "z") e recuperar a imagem positiva de ativista feminina que vinha conquistando no País.

Após a prisão no consulado, Sara foi atacada no Facebook por seguidores que discordam da atuação dela não somente no apoio ao Pussy Riot, mas também de sua atuação política e feminista. E a acusam de ligações com nazistas. "Isso prejudicou nosso trabalho", afirmou, referindo-se ao seu passado.

Filha de dona de brechó e de um pintor de paredes, ela nega que seja racista. Diz que, com os dois irmãos, teve infância humilde e estudou em escolas públicas. Na adolescência, foi aluna do Objetivo, onde se interessou por História, em especial pela Segunda Guerra Mundial.

Sara admite que teve contato com grupos de jovens racistas que se dizem nacionalistas e fazem apologia ao nazismo. "Mas isso foi quando eu tinha 15 anos, era uma apaixonada por História, queria mudar o mundo e conheci essas pessoas pela internet."

Ela explica que a aproximação foi "um erro", mas mantém no peito uma tatuagem de uma cruz muito parecida com a Cruz de Ferro alemã, cultuada por extremistas. "É uma cruz que tem a ver com os Templários. Sou apaixonada pelos Templários", desconversa.

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