Feito em sigilo, transporte dos corpos da cripta ao HC teve até escolta

Embalagem especial foi desenvolvida por pesquisadores

Edison Veiga e Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S. Paulo

18 de fevereiro de 2013 | 13h58

SÃO PAULO - Quando surgiu o desafio de levar os restos mortais de Dom Pedro I, Dona Leopoldina e Dona Amélia do Monumento à Independência, no Ipiranga, ao Hospital das Clínicas, em Pinheiros, especialistas envolvidos no projeto se viram diante de um problema: quem faria o transporte com a segurança necessária? "Começamos a ligar para empresas especializadas em transporte de obras de arte", lembra o médico Paulo Hilário Saldiva, chefe do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP. "Mas, quando perguntávamos sobre transporte de caixão, já desligavam na cara, pensando que era trote. Nem dava tempo de falarmos que era o caixão de Dom Pedro. Se bem que aí é que eles pensariam que só podia mesmo ser trote."

Muitos telefonemas na cara depois, uma empresa topou o serviço, a um custo de R$ 5,6 mil pelo transporte de cada um dos três membros da família imperial - na nota fiscal, guardada com orgulho pela Faculdade de Medicina, consta a seguinte discriminação de serviços: "embalagem e traslado da urna de Dom Pedro". 

A preocupação com os restos mortais era grande. "Foi desenvolvida uma embalagem especial, com espuma auto-expansiva", explica o conservador e restaurador Antonio Sarasá, cuja empresa prestou auxílio em várias etapas da pesquisa. "Também nos preocupamos com o itinerário, de modo que o transporte fosse feito com o mínimo possível de trepidações, subidas e descidas". Em cima do caixão, um nível a laser monitorava as oscilações. 

Nas três vezes, o transporte se iniciou por volta das 21h. O retorno à cripta, após todos os exames, acontecia entre 4h30 e 5h. O trajeto entre o Ipiranga e o Hospital das Clínicas levava 1h15. "Demorou mais porque o medo de todo mundo era do tamanho do mundo", explica a historiadora e arqueóloga Valdirene do Carmo Ambiel, coordenadora da pesquisa. 

A pesquisadora ia sentada na frente, no furgão, ao lado do motorista. "Se ele passasse de 40 km/h, eu já mandava reduzir", diz ela. "É o tal negócio: agora as imperatrizes ganharam mais uma serviçal, mais uma dama de companhia. Já do Dom Pedro a coisa complicou, ainda está indefinido o que eu virei."

Uma empresa de segurança privada fez a escolta. "Não queríamos chamar a atenção. Por isso, não pedimos um acompanhamento da Polícia Militar", afirma Valdirene. "Mesmo assim, um amigo PM foi informado e comunicou ao comando, que monitorou todo o trajeto durante essas noites."

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