Feiras livres desrespeitam horários

Por lei, bancas podem vender seus produtos até 13h, mas donos alegam que clientes vêm tarde e período de desmontagem é curto

LUÍSA ALCALDE , FELIPE TAU / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2011 | 03h03

A Prefeitura não fiscaliza, os feirantes ignoram e os clientes mantêm os velhos hábitos. Quase dois anos após a edição do decreto do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), que estabeleceu novas regras e reduziu o horário das feiras livres na capital, pouca coisa mudou.

Por lei, bancas só poderiam vender produtos até as 13 horas. Às 14 horas, os comerciantes deveriam desmontar as barracas, carregar os caminhões, ensacar todo o lixo e deixar a via completamente liberada. O objetivo era evitar que os sacos de resíduos fossem levados pelas enxurradas, entupissem as bocas de lobo e agravassem enchentes.

Nesta semana, a reportagem visitou quatro feiras nas zonas sul, oeste, norte e central e permaneceu nos locais das 12h30 até o término do serviço de lavagem das vias. Em nenhuma delas havia fiscais. Em três das quatro feiras, as vendas se estenderam até pelo menos 14h30. Em média, as ruas só foram liberadas depois das 17 horas.

Na feira da Rua Ministro Godoi, às 15 horas de terça-feira ainda havia feirantes desmontando bancas e caminhões atrapalhando a passagem. Segundo moradores, é comum que sacos com sobras da feira sejam recolhidos apenas por volta das 19 horas, quando os caminhões de lixo passam novamente na via para recolher a coleta domiciliar.

Lixo. Na Rua Barão de Capanema, nos Jardins, zona sul, só às 15 horas as últimas bancas foram desmontadas. Às 15h44, o lixo terminou de ser ensacado pelos garis, que reclamam que a maior parte dos feirantes não ensaca os detritos.

Já na feira da Rua Joinville, na região do Ibirapuera, zona sul, a desmontagem e o ensacamento do lixo ocorreu a partir do horário determinado pelo decreto: 12h30. Às 14h15, o tráfego para veículos foi liberado.

Na zona norte, na feira da Rua Madalena Madureira, o relógio marcava 14h44 e várias bancas ainda estavam sendo desmontadas. Às 15h10 o tráfego foi liberado parcialmente, mas os veículos tinham de desviar de amontoados de lixo e de restos de bancas que aguardavam os caminhões para carregar.

A aposentada Ana Nunes Lopes, moradora da rua, conhece bem essa rotina. "Se chove antes de a Prefeitura chegar, vai para a boca de lobo e entope tudo", reclama. Rubem Porto, professor de Hidrologia da Escola Politécnica da USP, concorda. "O lixo deixado pelas feiras contribui para o entupimento de bocas de lobo e assoreamento dos rios."

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