Epitacio Pessoa/AE
Epitacio Pessoa/AE

Feira em SP terá até selo com cheiro de chocolate

Até amanhã, evento internacional no centro vai apresentar exemplares raros e exóticos

Tiago Dantas / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2010 | 00h00

A internet diminuiu o número de cartas trocadas entre as pessoas, mas não acabou com os selos. Pelo menos isso é o que garantem os comerciantes e colecionadores dessas peças, que se reúnem entre hoje e amanhã em um hotel no centro de São Paulo durante o 7.º Encontro Internacional de Filatelia.

Cerca de 500 mil selos devem circular durante o evento, de acordo com a Associação Brasileira dos Comerciantes Filatélicos (ABCF). O público que visitar a feira e não for colecionador vai se impressionar com as peças feitas de material exótico do comerciante Júlio César Rodrigues de Castro, de 50 anos, um dos expositores. Ele mostrará selos com cheiro de café e chocolate, com pérolas, sementes de flores e até em formato de DVD.

"Coleciono selos desde os 17 anos. Comecei a comprar há três essas peças de materiais exóticos. É uma coleção que não tem tanto valor histórico, mas que chama muito a atenção pelo inusitado", diz Castro, que é dono de uma loja de selos na internet. "Muita gente achava que a internet ia acabar com a filatelia. Pelo contrário, está ficando muito mais fácil. Os comerciantes fazem intercâmbio e não precisamos viajar para outros países só para comprar um selo."

Valiosos. A filatelia pode ser um negócio milionário. O selo brasileiro mais caro foi vendido em um leilão, no ano passado, por cerca de R$ 2,2 milhões. E o comprador nem era colecionador. "A peça, um Olho de Boi, foi comprada por um empresário texano que só queria investir", conta o comerciante Peter Meyer, de 57 anos, presidente da ABCF. O pai e o avô de Meyer também eram colecionadores.

O Olho de Boi é o segundo modelo de selo lançado no mundo e o primeiro das Américas. Ele começou a circular no Brasil em 1.º de agosto de 1843 e é considerado valioso por ser raro. Antes do Olho de Boi, a emissão da carta era paga por quem a recebia.

O costume de colecionar selos surgiu em 1860, após a publicação do primeiro catálogo com as peças que circulavam no mundo naquela época. "Se você guardar o primeiro bilhete do metrô de São Paulo, ele tem algum valor? Não. O selo passou a ter valor a partir do momento em que alguém fez um catálogo", afirma Meyer, dono da empresa que edita o catálogo brasileiro. O livro mostra todas as peças que circularam pelo País, quanto elas custavam e quanto valem hoje.

Meyer tem uma coleção das chamadas pré-filatélicas. São cartas, memorandos e documentos diplomáticos do período colonial do Brasil. "Quem começa a mexer com isso acaba se envolvendo com a história. Eu gosto de ler livros de História até para entender o momento em que esses documentos foram produzidos", diz o presidente da ABCF.

SERVIÇO:

7º Encontro Internacional de Filatelia, hoje e amanhã, das 9h às 18h.

Novotel Jaraguá: Rua Martins Fontes, 71. Entrada grátis.

 

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