Wilton Junior/AE
Wilton Junior/AE

Feira de S. Cristóvão terá novo visual

Fachada de pavilhão no Rio vai ganhar referências ao NE; palcos serão reformados

Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2010 | 00h00

A lona rasgada que pende dos dois grandes chapéus de cangaceiro que decoram a Feira de São Cristóvão, na zona norte do Rio, é o sinal de que o tradicional espaço dedicado à cultura nordestina precisa de reforma. Diante da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016, a prefeitura lançou projeto que prevê um investimento de R$ 11,7 milhões para dar um novo visual ao pavilhão e corrigir deficiências estruturais que já provocaram até falta de energia.

Na reforma, a fachada do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, nome oficial da feira, vai ganhar um grande painel com imagens de um acordeão e de uma família de retirantes, além de lonas que remetem a rendas típicas da região. A praça que dá acesso ao pavilhão passará a ter bandeiras que representam os nove Estados do Nordeste.

"Hoje, o pavilhão está totalmente degradado e sem identidade própria", avalia Marco Antônio Almeida, presidente da RioUrbe, empresa de urbanização vinculada à Secretaria Municipal de Obras. "Com esse projeto, com apelo cenográfico, podemos resgatar a ordem e levar a população de volta àquele espaço", diz Almeida.

Referências. O pavilhão, com área total de 33 mil metros quadrados, se destaca na paisagem do bairro de São Cristóvão, mas sua fachada tem poucas referências à feira e à cultura nordestina. Caçambas de entulho e lixo se acumulam em seu entorno. "Os turistas devem achar que é tudo uma bagunça. Quando veem o estado do pavilhão, nem devem querer entrar", avalia Marcus Lucenna, representante da prefeitura na feira.

"Muita gente não conhece a feira e sequer sabe o que existe dentro do pavilhão. Com essas novas marcas visuais, quem passa por ali vai poder identificar de longe que esse é um espaço dedicado à cultura nordestina", afirma o presidente da Associação dos Feirantes, Antônio Helismar Leite.

O edital de licitação do projeto de revitalização foi lançado no fim de outubro e as obras devem começar em dezembro, segundo a RioUrbe. A expectativa é de que os trabalhos estejam concluídos até o fim de 2011.

Histórico. A Feira de São Cristóvão foi fundada em 1945, quando migrantes nordestinos se reuniram e montaram barracas a céu aberto no bairro da zona norte carioca. Em 2003, a prefeitura reformou um pavilhão abandonado que existia na região e transferiu para lá os comerciantes - que passaram a trabalhar em lojas e restaurantes de alvenaria. Hoje, o local também recebe shows de forró e outros ritmos nordestinos, além de nomes conhecidos do samba.

Nos sete anos da nova fase, os negócios cresceram e o público chegou a 200 mil visitantes por mês. Em um sábado movimentado, segundo os organizadores, o espaço recebe 25 mil pessoas. O inchaço da feira, no entanto, deixou marcas no pavilhão: há catracas enferrujadas, tijolos aparentes nas paredes de restaurantes e banheiros em más condições.

O projeto prevê a limpeza da pavimentação interna, a reforma total dos palcos e a instalação de novos sistemas de iluminação. Para receber os turistas estrangeiros, serão instalados mapas e totens bilíngues. O sistema elétrico e toda a rede de águas pluviais também serão reformados, diz a prefeitura.

"Houve desgastes causados pelo tempo e o equipamento ficou defasado por causa do crescimento da feira. Não adianta dar um banho de loja e não ter energia elétrica para os comerciantes", diz Lucenna.

Serviço

FEIRA DE SÃO CRISTÓVÃO. CAMPO DE SÃO CRISTÓVÃO, S/Nº, RIO DE JANEIRO. DE TERÇA A QUINTA, DAS 10H ÀS 18H (RESTAURANTE E ALGUMAS BARRACAS). DAS 10H DE SEXTA ATÉ AS 20H DE DOMINGO, TODAS AS BARRACAS FICAM ABERTAS SEM INTERRUPÇÃO.

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