TIAGO SILVA/ESTADÃO - 15/03/2014
TIAGO SILVA/ESTADÃO - 15/03/2014

‘Feira’ de droga da Peixoto acaba, mas consumo persiste

Um mês após denúncia feita pelo ‘Estado’, polícia prendeu 15 traficantes e acabou com oferta aberta de maconha e cocaína

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

16 Março 2014 | 21h15

Um mês depois que o Estado relatou a existência de uma feira livre de drogas na Rua Peixoto Gomide, perto da Avenida Paulista, ainda se vê alguns jovens consumindo drogas na rua, mas a oferta explícita feita aos gritos por traficantes foi abafada. A queda no movimento ocorre tanto pela repercussão da denúncia quanto pela ação policial, que prendeu 30 pessoas envolvidas com o tráfico e realizou apreensões no período.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, ações da Polícia Militar, Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e dos policiais do 4.º DP (Consolação) resultaram na prisão em flagrante de 15 traficantes, além da apreensão de outros 15 adolescentes ligados à venda de drogas na região. O saldo até agora é de 971,1 gramas de cocaína e 378,6 gramas de maconha apreendidos no período de 8 de fevereiro a 13 de março.

Os principais locais onde houve prisões e apreensões foram a Rua Peixoto Gomide e a Rua Augusta. Também houve ações na Rua Paim, outro ponto conhecido de tráfico na região.

A reportagem do Estado mostrou, no dia 16 de fevereiro, como traficantes circulavam entre os carros com as mãos carregadas de pinos de cocaína. Na calçada, quem passava era abordado por vendedores que ofereciam maconha, comprimidos de ecstasy, cartelas coloridas de LSD e gotas de GHB – anestésico também usado como estimulante sexual. O comércio, feito em voz alta, ocupava ponto em área nobre da cidade e frequentado por muitos jovens com menos de 18 anos.

O movimento mais forte acontecia nas madrugadas de sexta-feira e sábado. No fim de semana seguinte à publicação da reportagem, o Estado voltou ao local e flagrou a ação de policiais. Houve prisões de traficantes, abordagem de usuários e apreensão de drogas. Mas, após a saída de polícia, o consumo de drogas na rua continuou.

A polícia informou que em apenas uma ação policial, realizada na quinta-feira passada, foram apreendidos cerca de mil pinos com cocaína com cinco adolescentes e um adulto. O maior de 18 anos foi autuado em flagrante e os menores, encaminhados à Vara da Infância e Juventude.

Queda. Na noite de anteontem, por volta das 22 horas, duas motos da Polícia Militar permaneceram por algum tempo na esquina com a Rua Frei Caneca, com as luzes do giroflex ligadas. Mas, no período em que ficaram por lá, ninguém foi abordado.

Ao longo da noite, alguns jovens fumavam maconha na calçada, mas não se via a oferta de drogas sendo feita abertamente. A chuva que atingiu a região no início da madrugada também espantou o movimento, mas os próprios frequentadores sentiram esvaziamento nas últimas semanas. "Não está mais cheio como antes. A rua deu uma tranquilizada", disse um jovem que bebia cerveja sentado perto do meio-fio.

Segundo o governo estadual, a Polícia Civil também tem participado de reuniões com moradores da região e representantes do bairro para trocar informações e mapear o problema de tráfico e uso de drogas.

O movimento frenético dos fins de semana já provocou a saída de moradores da vizinhança. De um único prédio, 14 das 16 famílias que moravam no início de 2013 se mudaram. Moradores relatam ainda queda no valor dos imóveis.

Além da venda de drogas na calçada, o território livre que se tornou a região da Peixoto Gomide contava com a possibilidade de pagamento das drogas com o cartão no caixa da loja de conveniência do posto de gasolina, que fica na esquina da Rua Augusta. "O uso de uma loja de conveniência para pagamento de drogas com cartão bancário – como mostrou a reportagem do Estado – também é alvo de investigação em inquérito policial", afirmou a Secretaria da Segurança Pública.

Nesse fim de semana, o posto serviu de abrigo contra a chuva pelos frequentadores da rua, mas a reportagem não flagrou pagamento de drogas, como ocorria há um mês.

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