Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Fechar avenidas para carros será 'política pública permanente' em SP, diz Haddad

Prefeito de São Paulo inaugurou ciclovia na capital paulista e defendeu o fechamento de grandes avenidas para o lazer da população

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

23 de agosto de 2015 | 12h27

Atualizada às 07h28 de 24/8

SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou neste domingo, 23, que a proposta de fechar grandes vias para veículos nos fins de semana será uma “política pública permanente”, com o objetivo de garantir áreas de lazer na cidade. Ele inaugurou a ciclovia da Avenida Bernardino de Campos, com uma estimativa de 30 mil pessoas, e fechou, pela segunda vez, a Avenida Paulista para veículos e liberou a via para pedestres.

Este foi o último teste antes da decisão sobre o fechamento definitivo da Avenida Paulista aos domingos. A ideia de bloquear a via é o embrião de um projeto maior, que deve se estender para avenidas de toda a capital. “Todos as subprefeituras estão neste momento discutindo nos seus bairros a possibilidade de abrir ruas para lazer aos domingos”, disse o prefeito. “O que estamos propondo é discussão de política pública permanente.” 

De acordo com Haddad, a Paulista tem o “papel simbólico” para instalar a discussão na capital. “Como é muito representativa da cidade, simboliza muita coisa. Aqui acontecem as manifestações democráticas. Você acaba fazendo dela o expediente para alargar o debate e fazê-lo acontecer na cidade toda”, afirmou.

A Prefeitura quer fechar pelo menos uma via em cada uma das 32 subprefeituras. Segundo o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, estão em análise as Avenidas Faria Lima, dos Patriotas e Atlântica, na zona sul, e a Tiquatira, na zona leste da capital. 

Neste domingo, a Companhia de Engenharia do Tráfego (CET) colheu informações em hospitais, clubes e condomínios ao longo do último teste na Avenida Paulista. O balanço será divulgado nos próximos dias. Na semana passada, Haddad havia afirmado que “é provável” que a via seja fechada em definitivo já no próximo fim de semana. 

Teste. O evento começou às 10 horas e se estendeu até 17 horas. O prefeito inaugurou também um bicicletário e espaço gastronômico, instalados na Praça dos Arcos, e o Mirante 9 de Julho. Agentes da CET estavam espalhados ao longo da via orientando motoristas a seguirem pelos desvios, o que não evitou congestionamento nas vias paralelas. Dois pontos estavam mais críticos: perto da Praça Oswaldo Cruz, no Paraíso, e nas ruas atrás do Masp.

Por volta do meio-dia, o professor universitário William Freitas, morador de um prédio perto do Mirante 9 de Julho, teve dificuldade para chegar a sua casa. Com trânsito intenso na Rua Peixoto Gomide, os veículos eram desviados para a Rua Engenheiro Monlevade, alça de acesso da Avenida 9 de Julho à rotatória atrás do museu.

“A rotatória está completamente travada pelo volume de carros. Como tinha de descer para a rua da minha casa, a Rua Professor Picarolo, demorei cerca de 30 minutos para percorrer os 50 metros da rotatória até a minha garagem”, disse. Embora tenha enfrentado trânsito intenso, Freitas é favorável à abertura de espaços para os pedestres.

O corretor de imóveis Odilon Mesquita, de 62 anos, que estava de bicicleta neste domingo na Avenida Paulista, disse que fechar a via vai trazer problemas para o trânsito e para os hospitais da região. “São Paulo está proibitiva. Aqui na Paulista a ciclovia já dá uma condição boa de andar”, afirmou.

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