Fechado há cinco meses, Canecão causa nova briga

Cerca de 70 alunos e professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) fizeram ontem uma manifestação contra a "terceirização" do Canecão, ao som de sambas e com cartazes que diziam que "Cultura não é dinheiro" e "O Canecão é nosso e não está à venda".

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

25 Março 2011 | 00h00

Fechada há cinco meses, a tradicional casa de espetáculos carioca voltou para a UFRJ, dona do terreno em Botafogo, depois de uma batalha judicial de 40 anos. Mas seu futuro ainda é nebuloso: pode virar centro cultural da comunidade acadêmica, continuar a ser palco de shows comerciais ou unir os dois.

Os manifestantes rechaçam a possibilidade de o Canecão ser reaberto como era, só que com outro nome (o original pertence ao antigo proprietário, Mário Priolli). "Se o reitor (Aloísio Teixeira) terceirizar, como já disse que vai fazer, perdemos o controle sobre o espaço", disse o professor Eduardo Granja Coutinho, da Associação dos Docentes. "Perguntei a ele qual seria a diferença deste e do antigo Canecão, e ele disse: "A diferença é que agora a gente vai receber aluguel"."

A UFRJ informou que uma definição só sairá depois das reuniões entre professores e representantes da classe artística e após a aprovação de seus órgãos colegiados. Mas, segundo a instituição, a casa não terá mais o lucro como objetivo. O reitor, em viagem, não deu entrevista.

Saudosos do Canecão, artistas e produtores propõem que os shows sejam retomados. Alunos e professores querem que os cursos de áreas como teatro, música e dança possam usar o espaço, e que os shows, se continuarem a ocorrer, sejam mais baratos.

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