'Fecha a BR, meu irmão. Fecha a BR', ordena grevista

Escutas telefônicas com autorização da Justiça revelam a participação do principal líder dos policiais militares grevistas da Bahia no planejamento de ataques de vandalismo em Salvador. Reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, mostrou ontem diálogo entre o presidente da Associação de Policiais, Bombeiros e Familiares (Aspra), Marco Prisco, e um PM grevista.

O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2012 | 03h04

Prisco pede a colaboração do grevista em motins na capital. "Desce toda tropa para cá, meu amigo. Desce todo mundo pra Salvador, meu irmão. Tô lhe pedindo pelo amor de Deus. Desce todo mundo pra cá", diz o líder dos policiais rebelados e invasores da Assembleia Legislativa.

Em resposta, ele ouve do grevista: "Agora?" Enfático, Prisco rebate: "Agora. Agora. Embarque!" O PM grevista, então, retruca o pedido e anuncia que fará outros ataques, mas na Rodovia Rio-Santos. Ao tomar conhecimento da ação, Prisco ordena imediatamente: "Fecha a BR, meu irmão. Fecha a BR".

Para o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, as gravações obtidas pela inteligência da polícia baiana revelam as motivações do grupo. "Ficou clara a intenção de usar os atos de vandalismo para fazer pressão pela questão salarial e pela tentativa de chamar a atenção nacional", afirma.

Barbosa diz que essas e outras gravações (veja abaixo) enfraquecem a luta dos manifestantes para que sejam revogados os pedidos de prisão contra líderes. "Como o governo se mostrou disposto a fazer o esforço possível para cumprir o pedido salarial, o que segura a manifestação é a questão do cumprimento dos mandados. Prisco não queria ser responsabilizado pelos crimes, mas as gravações deram um tapa na cara da sociedade."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.