Sebastião Moreira/Estadão
Sebastião Moreira/Estadão

Febre amarela mata todas as famílias de macacos bugios do Parque Horto Florestal

Outras espécies de macacos que moram no parque não foram contaminadas pela doença

Ana Paula Niederauer, O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2018 | 11h34

SÃO PAULO - Todas as famílias de macacos bugios (Alouatta guariba clamitans) do Parque Horto Florestal, na zona norte de São Paulo, foram mortas pela febre amarela. Ao todo, 67 macacos morreram após contrair o vírus da doença.

A informação, antecipada nesta quinta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, foi confirmada pelo secretário de Meio Ambiente do Estado, Maurício Brusadin, em entrevista à Rádio Eldorado. Segundo ele, as famílias de bugios do Horto Florestal foram dizimadas. "Essa é a notícia mais triste. Infelizmente essa população acabou toda morrendo."

Ele lembrou, porém, que foi justamente a morte do primeiro macaco que possibilitou a descoberta da circulação do vírus no parque e fez com que o governo agisse com rapidez para imunizar a população do entorno.

"Esse primeiro macaquinho que morreu salvou a vida de diversas pessoas daquele entorno. O macaco nunca pode ser violentado por isso. Ele é o nosso sentinela, ele que avisa: olha, a doença está aqui, se cuidem aí", explicou Brusadin.

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Segundo o secretário, há 5 famílias de macacos bugios que estão resguardadas no departamento de áreas verdes. "Assim que os cientistas nos derem a garantia de que é possível reintroduzi-los com segurança aos parques, nós vamos fazer isso para recuperar a população de bugios da Cantareira e do Horto Florestal", afirmou Brusadin.

Ainda de acordo com o secretário, no Horto Florestal há espécies de macacos prego (Sapajus sp) e saguis (Callitrix sp -saguis, Calicebus nigrifons-sauá) que não foram atingidas pelo vírus.

Nessa quarta-feira, 10, o Horto Florestal, o Parque da Cantareira, na zona norte, e o Parque Ecológico do Tietê, na zona leste, todos da gestão estadual na capital paulista, foram reabertos para a população.

Os parques da zona norte haviam sido fechados no dia 20 de outubro, quando houve a confirmação de que um macaco bugio morreu após ser infectado pelo vírus da febre amarela. A unidade localizada na zona leste teve a visitação interrompida no dia 10 de novembro por causa de um macaco infectado levado para tratamento no local.

Para visitar as unidades, os frequentadores terão de se vacinar contra a doença. Faixas colocadas nos parques informam que a imunização deverá ser feita com dez dias ou mais de antecedência à visita, mas não haverá cobrança de comprovante de vacinação.

Imunização 

A partir de 3 de fevereiro, terá início a vacinação em regiões que ainda não foram afetadas pelo vírus no Estado. A meta é vacinar 6,3 milhões de pessoas de 53 municípios até 24 de fevereiro.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, 7 milhões de paulistas tomaram a vacina no ano de 2017. Entre 2007 e 2016, 7,6 milhões de pessoas tinham sido imunizadas.

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