Fé e política se misturam em Aparecida na festa da Padroeira

Histórias de fé vão de sacrifício a fiel jogando dinheiro ao chão; bispo critica falta de apoio federal na segurança da celebração

GERSON MONTEIRO, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

12 de outubro de 2014 | 14h25

APARECIDA - No dia em que a Igreja Católica celebra a festa de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, o Santuário Nacional, no Vale do Paraíba, recebeu 160 mil fiéis. São histórias e fé e devoção à santa que atraem e emocionam peregrinos. Missa solene terminou em tom político e com caminhada do candidato tucano Aécio Neves ao lado de eleitos e selfies com romeiros.

Desde as primeiras horas da manhã, a imagem da santa, encontrada por pescadores no Rio Paraíba do Sul em 1717, principal atração do templo religioso, foi disputada por extensas filas de romeiros. Uma visitação mais próxima da imagem chegou a demorar até duas horas no período da manhã.

Mas sacrifício é o que muitos devotos não temem ao chegar à cidade em caravanas por ônibus, de carro, de bicicleta ou até mesmo a pé. Um desses sacrifícios é a travessia da passarela de joelhos ao chão. A ponte liga a parte alta de Aparecida ao centro religioso e tem 392 metros de extensão. Mesmo sob o sol escaldante de 33 graus muitos fiéis fizeram a travessia pagando promessas ou fazendo pedidos.

O mineiro Johny Francisco Calazans, de 22 anos, pedia a cura de uma deficiência visual de nascença para a sobrinha Nicolle. "Eu peço a cura para ela, acredito muito na Santa que ela será curada", disse em meio ao suor e as lágrimas enquanto subia de joelhos.

Já o construtor civil Sebastião dos Santos Pereira, 75 anos, próximo a concluir o trajeto de retorno ao Santuário e percorrido mais de 700 metros de joelhos, entre ida e volta, fez o sacrifício em agradecimento pelas bênçãos recebidas. Há 15 anos ele faz o percurso e credita à fé. "Abaixo de Deus é Nossa Senhora Aparecida", comentou.

E quem cuida da Capela das Velas, local onde os fiéis acendem vela em agradecimento ou para fazer pedidos, também tem muita história para contar. Antonio Queiroz trabalha há 5 anos na limpeza do espaço e define seu trabalho em uma frase. "A cada pessoa é um relato diferente, é uma história para contar, já vi e ouvi de tudo aqui, se tem uma coisa de que não podemos duvidar é a fé do povo".

Apesar da maioria das pessoas visitar o local pela fé, ele critica alguns "fiéis famosos", que segundo ele vem só pela mídia. "Tem gente que vem com assessor e monte de gente junto só para fazer foto e gravar", critica.

Queiroz disse que ao fazer a manutenção dos tanques já encontrou diversas alianças, joias e moedas. Neste domingo um homem chegou na capela e em vez de acender velas jogou muitas moedas ao chão e saiu andando, até quem estava rezando interrompeu a oração para pegar o dinheiro, contou. Somente neste fim de semana da festa da Padroeira a limpeza dos tanques deve garantir cerca de 20 mil quilos de cera derretida das velas acessas pelos devotos.

A missa solene reuniu mais de 30 mil pessoas e teve a presença de políticos tucanos eleitos, como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, José Serra pelo Senado e deputado federal Samuel Moreira, líder da bancada na Câmara dos Deputados.

Antes de encerrar a missa, o bispo dom Darci Nicioli criticou a falta de apoio da Polícia Rodoviária Federal durante a novena. Segundo ele, não faltaram pedidos ao comando da polícia. A avenida do entorno do Santuário Nacional é a BR 488 e está sob a responsabilidade do Governo Federal.

Logo após a celebração o bispo fez o pedido público ao governador Geraldo Alckmin para que assuma a gestão do trecho. Alckmin disse que vai pedir ao Governo Federal um convênio no qual a Polícia Rodoviária Estadual assumirá a segurança do acesso.

O candidato à Presidência Aécio Neves, anunciado para participar da celebração chegou atrasado e não participou da festa. Depois de uma entrevista coletiva com a imprensa ele rezou em frente à imagem de Nossa Senhora Aparecida, ao lado da esposa, Alckmin e Serra, abraçou os fiéis e foi bastante solicitado para fazer selfies com romeiros em uma pequena caminhada na saída do templo mariano. Aécio prometeu, se eleito, estimulo ao turismo religioso para a geração de emprego e renda.

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