Fazer casa popular na periferia sai mais caro que no centro

Custo é 14% maior quando se leva em conta a necessidade de criar infraestrutura urbana em bairros mais afastados

Paulo Saldaña e Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2011 | 00h00

O alto investimento para comprar propriedades no centro de São Paulo sempre foi entrave para que imóveis na região fossem usados como habitações sociais. Mas levantamento da própria Prefeitura mostra que, quando levados em conta gastos com infraestrutura, construir unidade popular em área central é 14% mais barato que na periferia.

O custo médio de uma unidade habitacional na região central é estimado em até R$ 112 mil, somando valor de aquisição do terreno e da construção da obra - o gasto se encerra nisso, uma vez que a região tem infraestrutura de pavimentação, saneamento básico, transporte, educação e cultura. Na periferia, o gasto apenas com aquisição e obras é de R$ 78,4 mil. Mas, quando todos os custos de serviço e melhorias são colocados no papel, o valor salta para R$ 128 mil.

O cálculo foi feito pela própria Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab), com dados de várias secretarias. A comparação foi feita levando em conta um exemplo da construção de 940 unidades habitacionais em Guaianases, na zona leste.

No cálculo por unidade, a Prefeitura teria um gasto, em média, de R$ 1.280 com conexões de pavimentação, drenagem, água, esgotos e eletricidade. Ainda há o gasto com creche (para 270 crianças) e escola (para 800 crianças): R$ 12.536 por unidade, em média. Para instalações de lazer e cultura, deveria haver investimento médio por unidade de R$ 1.152. Para serviços de saúde, a estimativa é de R$ 1.880.

A Prefeitura ainda considerou gastos da população com transporte ao longo de 10 anos. No centro, com toda a estrutura de transporte, esse valor fica em torno de R$ 5.176. Na periferia, o custo salta para R$ 38.344.

Outro desafio no centro é a manutenção de elevadores, já que prédios têm mais de quatro patamares - além do térreo. Estima-se que elevador em edifício de 13 andares eleve o valor do condomínio em R$ 25.

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