Fazendo o raio x de grandes empresas

FGV estimula estudante a detectar falhas e sugerir melhorias

Paulo Saldaña, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2010 | 00h00

Uma nova disciplina da FGV está levando alunos do 6º semestre de Administração para dentro de empresas com uma missão desafiadora: investigar problemas e propor melhorias nos processos. É praticamente como se um estagiário assumisse o lugar do executivo.

Este semestre foi o primeiro em que os estudantes da FGV cursaram a matéria. Ao longo de seis meses, ficaram imersos em 30 grandes empresas - do porte da Unilever, Mercado Livre e Blue Tree Hotels - para entender como elas atuam.

As aulas envolvem professores de várias áreas, como marketing, finanças e gestão pública. O coordenador da disciplina, Marcelo Marinho Aidar, acredita que a experiência é mais proveitosa do que a vivida por um estagiário. "No estágio, ele aprende focado no seu setor, tem de executar muitas coisas e não precisa fazer recomendações. Aqui, deve propor intervenções que podem ser postas em prática nas organizações", afirma Aidar.

O estudante Luís Fernando Conde Regina, de 22 anos, é um dos cinco alunos envolvidos no projeto da Unilever. "É uma empresa grande e você, um estudante que precisa ver as falhas. A gente pensava: "Quem sou eu para falar alguma coisa?"", diz.

Para chegar ao relatório, o grupo entrevistou gerentes, coordenadores de área e até estagiários. Também teve acesso a material fornecido pela empresa. "O tempo é curto e temos que nos virar sozinhos."

O melhor é que o diagnóstico não vai para a gaveta, mas para as mesas dos executivos. Igor Hakim, gerente financeiro de Food Solution da Unilever - a área estudada da multinacional, que atende ao canal de restaurantes e redes de alimentação -, esteve há duas semanas na FGV para ver a apresentação do relatório final. "Fiquei bastante surpreso com a qualidade do que os alunos entregaram. Eles abordaram aspectos estratégicos e apontaram problemas que realmente existiam, mas nunca tinham sido identificados num relatório formal."

Os universitários detectaram problemas como falhas de comunicação entre funcionários. Fizeram recomendações como a de definir melhor responsabilidades e aperfeiçoar o cálculo de custos em marketing, finanças e logística do setor. Essas sugestões integram um plano de melhorias que todos os grupos têm de entregar no fim do semestre.

Para muitos estudantes, o contato com as empresas é um choque de realidade. "Eles descobrem que as empresas não são como a gente queria", afirma o professor Aidar.

Experiência online. O grupo do universitário Marcus Chiri, de 21 anos, que analisou a administradora do site de vendas pela internet Mercado Livre, teve a oportunidade de conhecer um ramo pouco tratado nas aulas. "A gente costuma falar muito de indústria, de bancos. Por isso, aprendemos muito lá."

Mariana Martins, de 23, e quatro colegas trabalharam com a Wine Style, revista de vinhos voltada para produtores. "O ramo é diferente, mas o modelo de investigação se aplica a todas as empresas."/ U

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