Favelas terão brigada de combate a incêndios até 2012

Iniciativa faz parte de programa de prevenção e deverá abranger 325 pontos de risco mapeados pelos bombeiros

Felipe Grandin, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2010 | 00h00

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) anunciou ontem medidas de prevenção a incêndios em 33 favelas de São Paulo até 2012. Entre as ações previstas estão o alargamento de ruas, retirada de ligações clandestinas de energia elétrica, instalação de extintores e hidrantes e a criação de brigadas de combate a incêndios.

A iniciativa faz parte do Programa de Prevenção Contra Incêndios em Assentamentos Precários (Previn), que deverá abranger os 325 pontos com maior risco na cidade. Os locais foram determinados por meio de um levantamento feito pelo Corpo de Bombeiros da capital.

O assentamento Sonia Ribeiro, no Jardim Aeroporto, zona sul, vai receber o projeto-piloto do programa. O local é de risco por ser área invadida, com construções irregulares e ter ligações clandestinas de luz e água.

Lá, assim como nas outras favelas, será nomeado um zelador comunitário, que vai coordenar a brigada de incêndio formada por moradores, e feito um cadastramento da população local. Além de treinar o grupo, Prefeitura, Eletropaulo e bombeiros darão palestras e distribuirão cartilhas sobre prevenção de incêndios.

A primeira fase incluirá 49 locais de risco em 33 favelas e deverá ser concluída até 2012. As comunidades ficam nas Subprefeituras de Freguesia do Ó (6), Jabaquara (6), Vila Prudente (6), Campo Limpo (3), Butantã (2), M"Boi Mirim (2), Pirituba (2), Casa Verde (1), Ermelino Matarazzo (1), Ipiranga (1), Penha (1), São Miguel Paulista (1) e Sé (1).

Lei. A criação de um programa de prevenção de incêndios em favelas foi aprovada pela Câmara Municipal em outubro de 2009. Quase um ano depois, em setembro deste ano, Kassab criou, por decreto municipal, a Câmara Executiva de Prevenção e Combate a Incêndios da capital, com representantes de órgãos municipais e da sociedade.

De lá para cá, o grupo fez um estudo, com apoio do Corpo de Bombeiros, que resultou na elaboração do Previn. O programa foi uma resposta aos recorrentes incêndios em favelas da capital, cuja frequência chegou a levar a Prefeitura a suspeitar de uma ação criminosa.

PARA LEMBRAR

Desde abril, o Ministério Público Estadual investiga um suposto esquema de incêndios forjados para amealhar recursos da Prefeitura. A suspeita é de que grupos ateiem fogo em favelas propositalmente, em comum acordo com alguns moradores, para receber os R$ 300 mensais do auxílio-aluguel ou do subsídio para voltar à cidade de origem, pagos pela Secretaria Municipal de Habitação.

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