Favela deve dar lugar a conjunto habitacional

Previsão da Prefeitura é que até 2012 todos os barracos da Real Parque sejam substituídos por apartamentos; ocupação começou em 1956

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2010 | 00h00

A Favela Real Parque, palco da chacina de ontem, vem sendo atingida por reformas urbanísticas que preveem, até 2012, a substituição dos mais de 1,1 mil barracos e casas de alvenaria por apartamentos populares. Segundo fontes ouvidas pelo Estado, essas mudanças têm causado tensão no universo do crime local.

As transformações começaram a ocorrer acidentalmente em setembro. No dia 24 daquele mês, um grande incêndio destruiu 320 casas na favela. Três dias depois, moradores fecharam a Marginal do Pinheiros e houve confronto com a polícia. Passados dois dias, começaram as obras de reurbanização da Secretaria Municipal de Habitação. Duas áreas já foram desapropriadas para a construção dos 1.135 apartamentos populares.

"Toda essa movimentação em torno da reurbanização vem deixando a cena do crime bastante tensa na Real Parque. Afinal, os traficantes provavelmente terão de encontrar outros lugares para montar seus negócios", analisa o advogado Ricardo Salles, vice-presidente da Sociedade Amigos do Real Parque, que vem acompanhando as discussões sobre a reurbanização na favela.

As obras ainda estão no começo e são realizadas em terrenos onde antes não havia barracos. A maioria dos 1.135 apartamentos será construída, no entanto, em áreas hoje ocupadas por moradias. Os habitantes dessas casas vão receber os novos imóveis.

A previsão da Prefeitura é de que todos os apartamentos sejam entregues até 2012. A obra é orçada em R$ 140 milhões e os recursos devem vir das vendas dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) da Operação Urbana Água Espraiada.

Pankararu. Vizinha dos condomínios de luxo do Morumbi, a Real Parque começou a ser ocupada por volta de 1956. Atualmente, segundo levantamentos do município, 1,1 mil famílias vivem no local, incluindo índios da etnia Pankararu, que migraram de Pernambuco para tentar a vida na favela.

A reurbanização vai ocupar uma área de 51 mil metros quadrados, divididos em três terrenos principais. Cada a apartamento terá 55 m², um pouco acima da média das unidades de habitação popular feitas na cidade. Além dos edifícios, será construído um parque de 10 mil m², com quadra, pista de skate e uma marquise. O projeto prevê ainda a construção de boxes comerciais e a revitalização dos prédios vizinhos. Os cercas de 1,2 mil moradores que perderam suas casas no incêndio recebem auxílio-aluguel de R$ 400, mas boa parte continua morando na favela.

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