Favela atingida por incêndio faz parte do PAC da urbanização

Cerca de 160 barracos foram destruídos pelo fogo; famílias desabrigadas precisam de material de higiene

Rejane Lima, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2008 | 16h09

A Favela México 70, atingida por um incêndio que destruiu cerca de 160 barracos na noite de domingo, faz parte do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) que urbanizará o bairro e construirá moradias para 1.664 famílias. De acordo com Brito Coelho, secretário de Habitação de São Vicente, no litoral sul de São Paulo, a área atingida - cerca de 10% da favela, uma das maiores da Baixada Santista - está dentro do projeto.   "É um programa com verbas da União, Estado e Município que está na fase de conclusão do licenciamento ambiental, depois disso vamos abrir a licitação", disse o secretário, afirmando que o destino imediato dos desabrigados ainda é indefinido. O incêndio deixou 157 famílias desabrigadas, segundo cadastro da prefeitura da cidade. As chamas começaram às 19h45 e trinta homens do Corpo de Bombeiros, com o apoio de 11 viaturas, trabalharam até as 23h30 para controlar o fogo nas palafitas. Não houve feridos.   "Há o empenho do prefeito (Tércio Garcia) para encontrar a solução mais rápida para esse problema, mas depende de tratativas com as esferas estadual e federal", completou Brito. Por enquanto, 50 famílias - ou 66 pessoas - estão abrigadas na escola municipal Professor Lúcio Martins Rodrigues. As demais foram para a casa de parentes e amigos.   Esse é o caso da família do motorista Paterson Roberto Martins, de 26 anos, que morava com a mãe, a ex-mulher e os quatro filhos em um dos barracos incendiados. "Eu fui para a casa da minha tia na Vila Margarida, mas fora da favela, e a minha ex-mulher foi para a casa dos pais dela com a minha mãe e as crianças", disse. Com filhos de 9, 7, 5 e 2 anos, Martins emociona-se ao falar de como será o Natal deste ano. "Vai ser muito triste para todos aqui, muita gente só saiu com a roupa do corpo. Nós perdemos tudo, minha mãe só conseguiu salvar alguns documentos", disse.   Primeira dama e Secretária de Cidadania de São Vicente, Márcia Garcia, afirma que a população abrigada está recebendo toda a assistência na escola, que remanejou os poucos alunos que estão em fase de recuperação para outro colégio. Segundo ela, as famílias carecem de materiais de higiene.   "Sabonete, pasta e escova de dentes, xampu, fraldas e absorventes é o que mais falta. Quem puder colaborar é só levar ao Fundo de Solidariedade. Mas eu queria agradecer muito a população de São Vicente que já nas primeiras horas correu para nos ajudar". O Fundo de Solidariedade de São Vicente fica na Rua Benedito Calixto, 205, no bairro da Boa Vista. Tel: (13) 3467-9118.

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