Fast fashion, à la Michelle Obama

Primeira-dama dos EUA aparece com vestido de R$ 60 na TV - e todo mundo quer copiar. Veja algumas dicas

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

19 Fevereiro 2011 | 00h00

Abra o guarda-roupa: o que você usaria para ser entrevistada em um programa de TV? A primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, escolheu um vestido de R$ 60 da loja de departamento H&M. Se por um lado há a estratégia política de parecer acessível para os eleitores do marido, por outro Michelle trabalha para colocar de vez na pauta da moda mais que uma tendência, um código: vestir-se bem gastando pouco é o novo pretinho básico.

Graças ao investimento das lojas desse tipo, se vestir como mulher de presidente está fácil - até araras de supermercado têm opções bem coerentes com o que se "está usando" por aí. "Queremos traduzir tendências para o público e trazer para o supermercado o que a consumidora encontraria no shopping", explica Sidnei Abreu, diretor têxtil do Grupo Pão de Açúcar, responsável pela moda no Extra.

As lojas de departamento facilitam a vida de quem quer consumir rapidamente as tendências - não à toa, a expressão em inglês para isso é fast fashion. "Coincidentemente, a duração da roupa é a mesma da moda: não passa de duas estações. Tem coisa que vale a pena comprar; outras, não", diz Thereza Chammas, do blog Fashionismo.

Essa durabilidade meio acanhada dos tecidos, geralmente sintéticos, é o ponto fraco do fast fashion. O esforço das marcas para tentar se livrar do estigma de "roupa barata" passa pelas coleções assinadas - Maria Bonita Extra para C&A, Oskar Metsavaht (da Osklen) para Riachuelo.

Alcançar o público "A-" é a meta. "O consumidor quer informação de moda, mas está preocupado com o que vai gastar", diz Gabriela Cirne, gerente de Estilo da Renner. "O que ele quer é investir mais em um produto que vai durar no guarda-roupa, e menos naquela peça passageira."

Cult. Não é a primeira vez que Michelle Obama mostra seu guarda-roupa de baixo custo - ela é adepta do high low, nome que os fashionistas deram para o estilo que mescla peças de marca com outras mais baratinhas. Seguindo essa linha, andar "grifada" da cabeça aos pés parece até cafona.

"O preço é a nova grife, uma nova chancela para a roupa. Comprar em loja de departamento virou cult. É mais um modismo", afirma a publicitária mineira Cris Guerra, do blog Hoje Vou Assim, que tem sua própria versão off price: o Hoje Vou Assim Off, uma homenagem divertida da designer Ana Carolina Soares só com looks montados sob orçamento reduzido.

Cris tem sérias ressalvas ao fast fashion. "É bacana comprar barato, mas não dá para ser escravo disso. O preço da roupa tem um sentido", diz.

A produção em série das lojas de departamento desanima quem gosta de exclusividade - embora a originalidade das grifes tradicionais e o preço cobrado por isso não seja uma unanimidade. "A criatividade que justificaria o valor alto cobrado pelas lojas tradicionais é muito rara. Se você olhar as semanas de moda, vai ver que tem muita "releitura"", diz Thereza Chammas.

A jornalista Laura Artigas, do blog Moda Pra Ler, acredita na coerência do estilo Michelle Obama. "Ela está bem conectada com o contexto do mundo pós-crise. Não vai mais existir uma Jackie O."

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.