Werher Santana/Estadão
Werher Santana/Estadão

Fase vermelha: comércio popular respeita restrições, mas lojas acham 'jeitinho'

Estabelecimentos ficam fechados, mas reportagem flagra portas entreabertas e duas lojas de variedade vendendo itens alimentícios

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2021 | 14h50

No primeiro dia da retomada da fase vermelha de restrições para tentar reduzir os casos de covid-19 no Estado de São Paulo, as regiões de comércio popular da capital tinham movimento tranquilo nos estabelecimentos com permissão para funcionar e lojas respeitando a obrigatoriedade de fechar neste sábado, 6. A reportagem, entretanto, viu portas entreabertas e ao menos duas lojas de variedades vendendo itens alimentícios para, assim, conseguir se encaixar no perfil de serviços essenciais.

Na fase vermelha, apenas serviços considerados essenciais podem abrir - farmácias, supermercados, padarias, além de hospitais e escolas, por exemplo, estão autorizados. Restaurantes podem ter apenas o serviço de entrega.

Na Rua 25 de Março, na região central, a tradicional movimentação de pessoas com sacolas de diferentes lojas foi substituída por compradores de um dos principais estabelecimentos da região, o Armarinhos Fernando, que está autorizado a funcionar nesta fase.

"Vim comprar um presente de aniversário para entregar na próxima semana. Estou com medo de fechar tudo de vez por causa da pandemia", diz a agente comunitária de saúde Idenise Torrisi Pires, de 33 anos. Ela conta que já recebeu a primeira dose da vacina, mas continua preocupada com a disseminação do vírus. "É muito preocupante e a gente não pode deixar de se cuidar."

O Largo da Concórdia, no Brás, também na região central, tinha alguns pedestres, mas as lojas não abriram as portas. No Brás e também na 25 de Março, era possível ver poucos estabelecimentos com discretas aberturas e algumas pessoas abordando quem passava oferecendo produtos, mas a reportagem não presenciou entrada de compradores nem formação de aglomerações.

A fiscalização era intensa nas regiões e era possível ver policiais militares, agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e da fiscalização da Prefeitura em mais de um ponto.

Na Lapa, zona oeste da capital, as lojas afixaram avisos de que estavam fazendo vendas apenas pelo WhatsApp. A Rua Doze de Outubro, que tem lojas de diferentes tipos de artigos, estava com pouca movimentação nas ruas.

No local, uma loja de variedades, como artigos para cozinha, e um estabelecimento que trabalhava com itens decorativos estavam abertos, no entanto, tinham uma prateleira com artigos alimentícios (café, leite e farinha de trigo). "Estamos funcionando como serviço essencial", disse a funcionária da loja de variedades.

A auxiliar de limpeza Ivanilde Pereira, de 55 anos, passou em uma das lojas que estavam abertas para comprar máscaras. "Saí do trabalho e estava procurando máscaras. Moro em Osasco e não costumo parar para comprar nada, sempre vou direto para casa. Aproveitei e comprei um tapete."

Ela demonstrou preocupação ao ver, do outro lado da rua, pessoas sem usar a máscara corretamente. "A culpa dessa situação é do ser humano. Tem gente sem máscara, sem cobrir o nariz. Se as pessoas tivessem consciência, não teria chegado neste caos."

Pinheiros e Vila Madalena respeitam fase vermelha

Também na zona oeste da capital, a Vila Madalena e Pinheiros estavam respeitando a fase vermelha. Bares estavam fechados, assim como muitos restaurantes, mesmo com a permissão de oferecer delivery.

Mas na Avenida Vital Brasil, no Butantã, algumas lojas funcionavam com meia porta aberta, o que não é permitido.

Mais de 40 estabelecimentos fechados na madrugada

As novas regras começaram a valer na madrugada e, segundo balanço da  Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo, ao menos 43 estabelecimentos da capital paulista foram autuados e fechados por descumprir as normas. Sete foram autuados por aglomerações e funcionamento após o horário permitido.

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