Faria Lima: mais 452 mil m² liberados para novos prédios

Câmara dá aval para prefeito vender R$ 2 bilhões em títulos que vão permitir construção de edifícios acima da Lei de Zoneamento

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2011 | 03h01

O prefeito Gilberto Kassab (PSD) ganhou ontem sinal verde da Câmara Municipal de São Paulo para colocar no mercado R$ 2 bilhões em títulos que vão permitir a construção de prédios acima da Lei de Zoneamento na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima, entre as zonas oeste e sul de São Paulo.

Na prática, a medida amplia a verticalização e pode prejudicar o trânsito na região. As regiões que poderão receber mais prédios ficam no perímetro das Avenidas Brigadeiro Faria Lima, Pedroso de Morais, Eusébio Matoso e Frederico Herman Júnior e nas Avenidas Hélio Pellegrino, Santo Amaro e Bandeirantes, incluindo o entorno das vias.

O projeto do Executivo - aprovado ontem em segunda e definitiva discussão, com 40 votos de vereadores a favor e 11 contra - libera 452 mil m² para serem adquiridos por incorporadoras que quiserem construir empreendimentos em uma das regiões mais cobiçadas atualmente pelo mercado imobiliário. Esse número equivale a três vezes a área prevista para o centro de eventos "Piritubão" - também aprovado ontem (veja na C12).

Mais lentidão. Pela proposta aprovada ontem, o perímetro da Operação Urbana Faria Lima poderá receber até 24 arranha-céus iguais ao Edifício Altino Arantes, a Torre do Banespa, que fica no centro de São Paulo. Com base na média de uma vaga de estacionamento a cada 35 m² de construção - parâmetro usado por arquitetos e técnicos da própria administração municipal -, os novos empreendimentos da área absorveriam 11.700 veículos. A quantidade é maior que os atuais 9.600 carros que passam pela Avenida Juscelino Kubitschek na hora de maior movimento de manhã e os 7 mil automóveis que entopem a Faria Lima no horário de pico da tarde.

A liberação descongela "estoques" (áreas disponíveis) para novos condomínios comerciais e residenciais em bairros já saturados, como Pinheiros e Itaim-Bibi. No total, o prefeito quer vender mais 500 mil Certificados de Potencial Construtivo (Cepacs), quase o mesmo número que foi negociado nos últimos dez anos na região.

O dinheiro arrecadado será investido em novas linhas de Metrô e outros projetos (veja ao lado), segundo o governo municipal. Mas nenhuma cláusula no projeto aprovado pelos vereadores garante o investimento.

Cada Cepac foi comercializado por R$ 4 mil no último leilão da Operação Urbana Faria Lima realizado em 25 de maio de 2010. Pela demanda do mercado, o valor é considerado baixo para os dias de hoje - ou seja, com a venda, a Prefeitura lucraria no mínimo R$ 2 bilhões e as construtoras poderiam usá-los para construir prédios mais altos em terrenos menores.

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