Famosos (ou nem tanto) reforçam o orçamento com ‘participações especiais’

Apesar dos boatos que circulam no mercado de que alguns artistas podem ganhar até R$ 150 mil por presença, o cachê de cada um, no entanto, é mantido a sete chaves

Marina Azaredo, O Estado de S.Paulo

30 Dezembro 2013 | 21h59

Às 19h30 de hoje, o ator Luigi Baricelli sobe ao palco montado na Avenida Paulista para dar início à já tradicional festa de réveillon da via, a mais movimentada da cidade desde 1997. Mestre de cerimônia da festa, que reuniu mais de 2 milhões de pessoas no ano passado, o ator será o responsável por animar a multidão e chamar ao palco atrações como Sampa Crew, Fernando e Sorocaba, Supla e Paulo Ricardo. O "métier" de animar festas - como mestre de cerimônia ou simplesmente fazendo uma presença VIP - tem se consolidado como uma das principais fontes de renda de artistas e celebridades.

Em uma quinta-feira deste mês, Ricardo Tozzi, no ar na novela das 21h da Globo, chegou ao Shopping Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, para participar da inauguração de uma loja de eletrônicos. Ao som de música alta e em meio a garçonetes que serviam canapés e taças de espumante, ele posou para cerca de 350 fotos durante as duas horas em que esteve na loja - pedidos de autógrafos são raros hoje em dia. "Gosto de interagir com o público e estou acostumado a tirar fotos", garantiu ele, sorridente, entre uma e outra foto.

O trabalho é basicamente esse: sorrir, posar para fotos e trocar algumas palavras com fãs mais empolgados. O tempo de permanência varia entre 1h30 e 2h. Mas a presença VIP é vista com desdém por alguns artistas. Muitos negam que façam esse tipo de trabalho. "Quem não faz é porque não tem convite. Se tem qualquer tipo de preconceito, eu não ligo", disparou Tozzi.

Apesar dos boatos que circulam no mercado de que alguns artistas podem ganhar até R$ 150 mil por presença, o cachê de cada um, no entanto, é mantido a sete chaves. "Posso dizer apenas que uma presença VIP custa entre R$ 15 mil e R$ 60 mil", afirma Maira Delamor, da MM7 Produções, responsável por fazer a ponte entre empresa e artista.Mas, se o cachê de globais alcança dezenas de milhares de reais, ex-participantes de reality shows têm de se contentar com valores mais modestos.

"Se o trabalho for em São Paulo e se a marca for boa, cobro R$ 4 mil. Mas, se tiver de viajar muitas horas, passo para até R$ 8 mil", entrega a ex-BBBe ex-panicat Jaque Khury. "Tem gente que vai falar em R$ 10 mil, R$ 15 mil, mas não é verdade", garante. Aos 29 anos e prestes a dar à luz, ela diminuiu o ritmo de trabalho e garante que fazer presença não será mais o seu foco quando voltar à ativa. "Quero fazer muito mais mestre de cerimônia e tirar o foco do meu corpinho. Estou envelhecendo e saia justa não vai segurar a onda", diz.

Antes da gravidez, no entanto, Jaque já foi paga muitas vezes apenas para "abrilhantar" baladas e eventos em casas noturnas. O Gold Street Bar, em Campinas, é uma delas. "Quase toda semana, chamamos as meninas", afirma o proprietário da casa noturna, Carlos Guedes. As "meninas" são as ex-panicats Babi Rossi e Dani Bolina e as ex-BBBs Cacau e Fani, entre outros nomes. "Os frequentadores gostam de conhecer as famosas pessoalmente, ainda mais quando são pessoas formadoras de opinião", justifica Guedes. Ele calcula um aumento de público de 70% nas noites de sexta-feira, quando as meninas são contratadas para animar a noite.

Mas não só de atores, modelos e aspirantes à fama vive o mercado das presenças VIP. Atletas e ex-atletas também são muito requisitados. E, para além dos cachês astronômicos de campanhas publicitárias de nomes do momento, como Neymar, outros já meio esquecidos também têm seu espaço. "Às vezes, participo de uns jogos beneficentes, dou uns autógrafos, vou a uma festa, faço umas fotos", conta o ex-atacante Osmar Donizete Cândido, que atuou em times como Corinthians, Botafogo e Vasco nos anos 1990. Mas, assim como seus colegas de "métier", o ex-jogador, que ficou mais conhecido pelo apelido de Donizete Pantera, reluta em revelar seu cachê. "As pessoas me chamam, me dão um dinheirinho e eu vou", desconversa.

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