Famosas no Sul, tricoteiras vinham a SP para encontro na Fiesp

Elas faziam parte do Sindicato dos Servidores Públicos Aposentados e Pensionistas do Estado do RS

Amanda Valeri, da Agência Estado,

19 de julho de 2007 | 00h45

O acidente com o vôo 3054 desfalcou um grupo muito conhecido no Rio Grande do Sul: o das tricoteiras. Formado por aposentadas e pensionistas com mais de 70 anos, há um ano elas vinham tricotando uma manta, que já tem 200 metros, em protesto pelo não-pagamento de precatórios por parte do governo do Estado. Sete delas estavam no avião da TAM. Veja também:Separado da família, advogado vê explosãoEmpresário paulistano competiu na S. SilvestreMorte de 4 da mesma família comove BirigüiEmpresário queria abrir empresa em AngolaPassageiro antecipa vôo e morre em acidenteIrmãs queriam assistir a filme de Harry PotterAmazonense filho único vinha de curso no RS No total, eram 20 tricoteiras. Todas as quartas-feiras, elas se revezavam na Praça da Matriz, em Porto Alegre, aprontando a manta. Faziam parte do Sindicato dos Servidores Públicos Aposentados e Pensionistas do Estado do Rio Grande do Sul. O grupo viajou para São Paulo para participar do lançamento do Movimento Nacional Contra o Calote Público, que ocorreria na quarta-feira, na Federação das Indústrias de São Paulo. Atualmente se mobilizava contra a Proposta de Emenda Constitucional(PEC) nº 12, que prevê o pagamento dos precatórios por meio de leilão: quem oferecer maior desconto ao governo devedor recebe primeiro. Para o grupo, se aprovada, a PEC oficializará o calote. Antes do embarque, no Aeroporto Salgado Filho, cinco das tricoteiras posaram para fotos. Entre elas, a presidente do sindicato, Júlia Camargo, 79 anos. Além dela, morreram no acidente a conselheira fiscal Sonia Machado (70 anos), a pensionista Nelly Elly Priebe (79 anos), as sócias Mery Wilma Grash Vieira (77 anos), Suely Leal da Fonseca (75 anos), Adelaide Helegda Rolin de Moura (73 anos) e Elcita da Silva Ramos (85 anos), a funcionária Catilene Maia de Oliveira (35 anos) e a assessora de imprensa, Kátia da Luz Escobar (43 anos). Com as tricoteiras, viajavam a presidente do Sindicato dos Técnicos Científicos do Estado do Rio Grande do Sul (Sintergs), Nadja de Paula, 52 anos, e o diretor de divulgação do sindicato, Luiz Fernando Zacchini. A mãe de Nadja, Teresa, de 78 anos, desembarcou na quarta-feira em São Paulo em busca dos restos mortais da filha.

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