Sergio Moraes/Reuters
Sergio Moraes/Reuters

Famílias se desesperam: pavor, choro e revolta

Reconhecimento dos corpos consternou parentes, que peregrinaram por hospitais

Alfredo Junqueira, Bruno Boghossian, Clarissa Thomé e Glauber Gonçalves, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2011 | 00h00

O desespero de pais e parentes era visível ontem em hospitais e no Instituto Médico-Legal, no centro. Waldir Nascimento, pai de Milena dos Santos Nascimento, de 14 anos, aluna do 6.º ano, deixou o prédio do IML em estado de choque, depois de identificar a filha. Enquanto respirava com dificuldade, amparado por parentes, eximiu o Estado de culpa. "O que ele (o atirador) fez lá podia ter feito na Central do Brasil ou na praia. Não vou culpar o governo."

Suely Guedes, mãe de Géssica Guedes Pereira, de 15 anos, já havia reconhecido a filha por uma foto no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, mas a família só confirmou a morte da adolescente no IML. "O sonho dela era entrar na Marinha. Estava estudando para isso."

A peregrinação dos parentes por hospitais da cidade e no IML era intensa e durou o dia inteiro. Daniele Azevedo procurava informações da prima, Larissa dos Santos Atanásio, de 13 anos, e a tensão aumentava com a busca. Larissa acabou identificada como uma das vítimas.

Já Nádia Ribeiro, madrinha de Mariana Rocha de Sousa, de 13 anos, ficou sabendo da tragédia pela imprensa. Ela contou que uma vizinha, colega de Mariana, a viu no chão, sendo transferida para uma maca. "Era uma menina muito vaidosa, queria ser modelo e adorava fotografar."

Histórias dramáticas também se ouviam nos corredores do Albert Schweitzer. Valéria Pires, irmã de Samira Pires Ribeiro, de 13 anos, tentava explicar o sentimento da família. "Estamos todos muito mal. Minha mãe está em estado de choque."

Entre os mais abalados, muitos evitaram declarações. Foi o caso de Perla Maria dos Reis Paes, tia das gêmeas Bianca e Brenda, de 13 anos. A primeira morreu com um tiro na cabeça. Brenda foi atingida no braço.

Os feridos. No Albert Schweitzer, para onde foi levada a maioria dos feridos, a enfermeira Rozilem de Souza Carvalho já tinha encerrado o plantão de 24h quando viu policiais chegando com crianças baleadas. Voltou imediatamente. No total, 10 meninas e 2 meninos ficaram feridos. Quatro estão em estado grave. Uma delas, Taiane Tavares Pereira, de 13 anos, foi atingida por três tiros, teve lesão na medula e corre risco de ficar paraplégica. Outro jovem teve lesão vascular grave no ombro direito e era operado à noite no Hospital Alberto Torres. Outra vítima, baleada no olho direito, foi operada e seguia internada no Hospital Adão Pereira Nunes.

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