Famílias são retiradas e outras ocupam o terreno

Com monitoramento falho, algumas áreas de risco que tiveram casas removidas vêm recebendo novos moradores. No Parque Santa Madalena, zona leste da capital, até o local onde um homem morreu soterrado há quatro anos já está ocupado por novas moradias.

O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2013 | 02h03

"Na época em que ergui o barraco, não sabia que já tinha morrido gente aqui. Acho que se soubesse nem teria comprado o terreno", diz a diarista Sandra de Jesus Oliveira, de 34 anos, que pagou R$ 300 pela área onde construiu o barraco de 20 metros quadrados, onde mora com seis filhos e o genro.

"Quando chove, a gente vem dormir na parte da frente do barraco, porque se a terra descer tem menos perigo de ela chegar até nós", diz o cabeleireiro Valdenário Antonio da Silva, de 20 anos, genro de Sandra.

Naquela área do morro, 330 famílias foram removidas entre 2011 e 2012, mas dezenas de novos barracos já tomam a área. Em toda a comunidade, são 2.600 famílias, número que não para de crescer.

Entre as futuras moradoras está a dona de casa Thaís Ferreira Brandão Cardoso, de 20 anos. Ela pagou R$ 800 a quatro rapazes para construírem um barraco no morro, onde vai morar com o marido e dois filhos, um deles de dois meses.

"Pagava R$ 150 de aluguel, mas a dona pediu a casa. Onde vou encontrar outro lugar pelo mesmo valor? Tive de vir para cá. Prefiro passar medo no barraco do que na rua", afirma.

Monitoramento falho. Para a arquiteta Maria Augusta Justi Pisani, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o monitoramento das áreas de risco já desocupadas deveria ser aprimorado. "Existem ferramentas pelas quais é possível monitorar essas áreas a distância. Mas a melhor fiscalização é a dos próprios moradores", diz a especialista. "Se a Prefeitura remover as casas e colocar um equipamento público no local, como uma praça, os moradores serão os primeiros a cuidar daquele local e denunciar novas ocupações", diz.

O secretário José Floriano de Azevedo Marques diz que a pasta orienta as subprefeituras a sempre demolirem as casas e barracos após a saída das famílias. "A demolição é importante para evitar novas ocupações, mas também estamos contando com a ajuda das famílias que moram ao redor da região desocupada, para que denunciem as invasões", diz.

Segundo o secretário, parte das áreas de risco desocupadas será contemplada com parques lineares. "Essa revitalização vai impedir novas invasões", afirma. / F.C.

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