Famílias são responsáveis por preservar construções

Seu Francisco Araújo Ribeiro, de 64 anos, mora em uma casa bandeirista datada de 1892, sede da Fazenda Quilombo, em Limeira. A propriedade foi construída por seu bisavô, Ezequiel de Paula Ramos (1842-1905), importante figura política, senador de São Paulo e relator da Constituição Estadual. "O patrimônio quem detêm são as famílias. E só elas conseguem, fazendo malabarismo, manter esse patrimônio funcionando", diz seu Francisco.

O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2013 | 02h08

Além do casarão, a Quilombo preserva a antiga tulha, transformada em espaço para receber visitantes, a casa das máquinas, onde ainda se beneficia café para consumo interno e também para venda aos turistas, os terreiros e a casa do administrador. A Quilombo foi uma das grandes produtoras de café de São Paulo, tinha estação de trem, dentro de suas terras, para levar o produto até o Porto de Santos.

Outro exemplo de preservação é a Fazenda Santa Cecília, em Cajuru, que foi dos maiores complexos cafeeiros do Estado, com mais de 1 milhão de pés. Ela se destaca por preservar em bom estado toda estrutura de produção do café, os terreiros, os tanques, a usina hidrelétrica, a tulha e a estação de trem. Atualmente, ela está aberta apenas para pesquisadores.

A Fazenda Mandaguahy, em Jaú, da família de Francisco de Paula Almeida Prado, o Major Prado, datada do final do século 19, têm importante material sobre os costumes da elite paulista, como as fotografias.

"As famílias que viviam na zona rural mandavam suas fotografias para amigos da cidade, e também para alguns fora do País, delineando assim uma complexa trama social", explica a socióloga Olga von Simson, da Unicamp. Na Fazenda Santa Maria do Monjolinho, em São Carlos, foi achado um álbum com fotos do Egito, feito em 1885.

As duas mais antigas fazendas do estudo estão em Itu, a Chácara do Rosário e a Capoava - ambas datadas do século 18 e voltadas à produção de cana-de-açúcar. A Chácara do Rosário tem construção tipicamente bandeirista. Ela pertence à mesma família há 256 anos e tem o turismo histórico como principal atividade hoje. A Fazenda Capoava também foi transformada em hotel e museu. / R. B.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.