Divulgação Ocupação Nelson Mandela
Divulgação Ocupação Nelson Mandela

Moradores incendeiam barracos e deixam área em Campinas

Sem-teto e policiais militares entraram em confronto; Ocupação Nelson Mandela, no bairro Jardim Capivari, abrigava 600 famílias havia oito meses

Bibiana Borba e José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

28 Março 2017 | 06h51
Atualizado 28 Março 2017 | 14h41

SÃO PAULO E SOROCABA - Depois de uma reunião com oficiais de Justiça, representantes da prefeitura e do comando da Polícia Militar, os líderes da Ocupação Mandela, no Jardim Capivari, em Campinas, no interior de São Paulo, decidiram orientar os moradores a deixar a área para evitar novos conflitos com a PM.

De manhã, policiais foram recebidos com paus, pedras e bombas caseiras. Um agente se feriu levemente. Os PMs reagiram com bombas de efeito moral. Barricadas de paus e pneus foram incendiadas pelos ocupantes.

Cerca de 400 policiais participam da reintegração de posse e executam o despejo de 600 famílias.

Às 13 horas, o comandante da PM, coronel Marci Elber, disse que a desocupação estava dentro da normalidade e que a Polícia Militar havia entrado na área para acompanhar a saída das famílias.

Em nota em sua página no Facebook, a ocupação afirma que há 282 crianças, 28 gestantes e 24 idosos entre os moradores. 

Revoltadas, muitas famílias retiraram os pertences e atearam fogo aos barracos. A prefeitura disponibilizou caminhões para o transporte dos pertences, mas não destinou um local para abrigar os sem-teto. Eles ameaçaram acampar na frente do Paço Municipal.

Ocupação. Os sem-teto invadiram a área, com cerca de 100 mil metros quadrados e pertencente a uma indústria cerâmica, em julho de 2016. Os proprietários entraram com pedido de reintegração de posse e obtiveram a liminar, mas os ocupantes não aceitaram os termos para a desocupação pacífica. A maioria alegou que não tinha para onde ir.

O advogado dos moradores, Alexandre Mandl, disse que os ocupantes ficaram sabendo da reintegração de posse pela imprensa, por isso, optaram pela resistência. Segundo ocupantes, a propriedade estava abandonada havia 40 anos.

Já o coronel Rezende informou que houve várias reuniões prévias com as lideranças e advogados, mas apenas 200 famílias deixaram a área após serem notificadas.

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