Famílias pedem e curso sai do papel

Aula de segurança aérea será o foco principal

/ ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2012 | 03h07

Um pedido dos parente das 199 vítimas do acidente com o Airbus A-320 da TAM, há cinco anos, deve sair do papel no ano que vem. Trata-se de um centro com cursos de capacitação de aviação.

O espaço será gerido pelo Centro Paula Souza, responsável pelo ensino técnico no Estado. Pelo projeto proposto pela entidade, o programa oferecerá cursos de um semestre sobre segurança, logística aeroportuária, transporte e armazenamento de carga e atendimento ao público.

A princípio, as aulas serão dadas em uma unidade do Via Rápida Emprego, programa estadual que oferece cursos básicos de qualificação profissional, de acordo com a demanda de cada região. O espaço, a ser construído, deverá funcionar em uma área cedida pela Prefeitura de São Paulo, perto do Aeroporto de Congonhas, na zona sul. O endereço, porém, não foi informado pela administração municipal até as 20h30 de ontem.

Bandeira. A melhoria da segurança na área da aviação comercial é uma das bandeiras da Associação dos Familiares e Amigos do Voo TAM JJ3054 (Afavitam). A entidade chegou a fazer a proposta de ver a escola técnica criada em vez de um memorial - o espaço criado em homenagem às vítimas da tragédia foi entregue anteontem. Na cerimônia, os familiares classificaram o local como "um endereço de alerta sobre a falta de segurança no tráfego aéreo do País".

"Esse curso é um início positivo. O que ficou costurado é que, inicialmente, um desses de Via Rápida, de seis meses de duração, seria mais viável", afirmou Archelau Xavier, vice-presidente da Afavitam.

Ele diz que a associação tem se reunido com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o Centro de Investigação de Prevenção de Acidentes Aéreos (Cenipa) e outros órgãos para articular medidas que ajudem a diminuir o risco para os passageiros.

"A gente está bastante satisfeito com os primeiros contatos", afirmou Xavier.

O prefeito Gilberto Kassab (PSD) também cobrou mais segurança durante a inauguração do memorial. "Espero que todas as autoridades que passam por aqui, e sejam responsáveis pela aviação civil, coloquem as mãos à obra", disse.

Processo. Outra exigência dos parentes das vítimas é a punição dos apontados como responsáveis pelo acidente.

Denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) há um ano, a ex-diretora da Anac Denise Abreu e os ex-diretores da TAM Alberto Fajerman e Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro negam qualquer responsabilidade pelo acidente.

Os três respondem por "atentado contra a segurança no transporte aéreo".

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.