Famílias: entre a busca da verdade e o luto reaberto

Entre familiares de vítimas, a descoberta dos corpos trouxe duas esperanças: a de finalmente enterrar os mortos e a de obter justiça. Por outro, o processo de luto foi reaberto.

Pedro Dantas e Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2011 | 00h00

"Os destroços podem confirmar que havia um defeito de fabricação na aeronave", afirma o presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 447 no Brasil, Nelson Marinho, que perdeu um filho no acidente. "Estão aparecendo evidências porque estamos pressionando", disse ele, que tenta desde janeiro, sem sucesso, audiência com a presidente Dilma Rousseff.

Jean-Baptiste Audousset, presidente da associação Ajuda Mútua e Solidariedade, que reagrupa famílias de vítimas no mundo inteiro, disse que a localização dos destroços reforça a expectativa da descoberta das causas do acidente e da punição dos responsáveis por eventuais falhas mecânicas e eletrônicas. "É importante tirar as lições desse episódio e, sobretudo, impedir que tragédias como essa se reproduzam no futuro", reiterou. No Brasil, 14 famílias que ingressaram com ações no Tribunal de Justiça do Rio já estão recebendo pensões no valor de 2/3 do salário dos parentes mortos.

Luto. Mas o mais difícil agora parece ser a ferida reaberta. Gwenola Roger, familiar de vítima francesa, se disse surpresa. "Agora, encontramos o avião, e há corpos dentro. É uma nova dor", disse. Robert Soulas, que perdeu a filha e o genro, diz preferir que o casal permaneça junto no fundo do mar a localizar apenas um dos dois. "É um trauma que se abre novamente. Por dois anos, tentamos lidar com essa ausência"

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