Famílias dizem que total de atingidos é cinco vezes maior

Lideranças e moradores envolvidos nas discussões do Trecho Norte contestam as estimativas do governo. Na avaliação deles, o número de famílias que estão em áreas irregulares e devem ser reassentadas é cinco vezes maior.

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2011 | 00h00

"A gente trabalha com cerca de 20 mil famílias. Queremos andar pelos bairros com os técnicos da Dersa para mostrar o que realmente existe", afirma o líder comunitário Miguel Gomes, de 45 anos, morador de Taipas, na zona norte de São Paulo.

O deputado estadual Alencar Santana (PT) afirma que uma avaliação subestimada do número de famílias pode aumentar, no futuro, o custo da obra. "Como podem apresentar um valor se o custo social ainda não é certo?" Segundo ele, o aumento da estimativa de imóveis atingidos para 4,1 mil demonstra que há "contradições". "Na alteração do trajeto feita em maio, o número de atingidos em Guarulhos, por exemplo, caiu pela metade. Mesmo assim, aumentaram a estimativa. Mostra que existe um erro."

A crítica do advogado Carlos Eduardo de Castro Souza, que defende moradores de um condomínio vizinho à rota do Rodoanel, é que o plano de remoções veio tarde. "Isso deveria estar já no Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima). Está previsto nas diretrizes do próprio estudo."

A previsão de pagamento de aluguel social enquanto as unidades da CDHU não estiverem prontas também causa desconfianças. "A sociedade não aceita isso. Deveria acomodar as pessoas primeiro e depois começar a obra", diz a ambientalista Elisa Puterman, conselheira dos Parques da Cantareira e do Alberto Löefgren.

Elisa teme que o projeto de remoções não seja respeitado e não dê conta de todas as famílias. "Parece que querem a licença ambiental e depois tocar as obras como quiserem."

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