Famílias deixam ocupação sem confronto em Carapicuíba

Reintegração de posse da área foi autorizada pela Justiça e cumprida a partir das 6 horas da manhã

Andressa Zanandrea, do Jornal da Tarde,

06 de maio de 2008 | 10h23

Cerca de 2,5 mil pessoas tiveram de deixar nesta terça-feira, 6, o loteamento onde moravam irregularmente em Carapicuíba, na Grande São Paulo. A reintegração de posse da área, de uma construtora, foi autorizada pela Justiça e cumprida a partir das 6 horas da manhã. Não houve confronto com a polícia. A retirada pode terminar apenas na quinta, 8, mas será interrompida à noite. Por volta das 4 horas, 520 homens da Polícia Militar, inclusive o efetivo do 3º Batalhão de Choque, chegaram ao terreno, no Jardim Ana Estela, para, com a chegada do oficial de Justiça, cumprir a determinação judicial. Entre 600 e 700 famílias moravam no terreno de 7 mil m², um loteamento de chácaras, composto de três quadras, da construtora Savoy. De acordo com a polícia, até as 7 horas, entre 20% e 30% dos moradores já haviam deixado o terreno pacificamente. Além dos policiais, homens da Sabesp e da Eletropaulo providenciaram o corte de ligações de água e luz. Também houve a presença de membros do Conselho Tutelar. A construtora, segundo a polícia, providenciou 70 caminhões e carregadores para transportar os pertences dos moradores a locais na Grande São Paulo. Quem não tem para onde ir teria os móveis e objetos pessoais levados para um galpão na Capital, onde ficariam guardados. Além disso, uma ambulância particular ficou de prontidão e cinco tratores derrubariam as casas à medida que as pessoas saíssem. De acordo com a polícia, a construtora teria gastado R$ 100 mil com a estrutura usada na desocupação. O pintor Ítalo Lopes, de 26 anos, morava há cinco anos em um barraco. Ele dividia a casa com a mãe, de 59, a esposa, de 18, e a filha de 1, e agora não tem para onde ir. "Procuramos acordo, mas não tivemos nenhum tipo de assistência. A polícia veio e avisou no sábado que teríamos de sair. Agora o jeito é comprar madeirite novo e achar outro lugar." Algumas pessoas são moradoras do local há ainda mais tempo que a de Lopes. A 17 famílias, as mais antigas, que estão lá há mais de nove anos, foi concedida uma liminar que garante a permanência delas em suas casas. Segundo a polícia, a maioria dos moradores está na região há dois anos ou menos. É o caso da empregada doméstica Valdenilde Aparecida de Oliveira, de 23 anos, que morava havia um ano no local, com o marido e os filhos de 5 e 3 anos. Ela diz que comprou o terreno de um homem, por R$ 2 mil. Agora não tem para onde ir. "Estou com um prejuízo de uns R$ 7 mil e na angústia de não saber para onde vamos. Minha filha passou mal quando soube que teríamos de sair daqui", conta ela, que guardou os móveis e outros pertences em casas de vizinhos.No local, há muitos barracos de madeira e algumas casas de alvenaria. O ajudante de mecânico Rivaldo Pereira da Silva, de 47 anos, não morava na invasão, mas foi ajudar os filhos que lá viviam. Ele desmontou o barraco onde morava o filho, a filha e o marido, tirou as telhas para levar para casa, a cerca de três quilômetros, e ateou fogo ao resto. "Agora vão ficar dez pessoas na minha casa, que tem três cômodos." Ele afirma que o filho pagou R$ 1.500 pelo terreno há um ano e dois meses. "Esse dinheiro ninguém vai repor. O prefeito prometeu que ia arrumar lugar para eles, mas não cumpriu". A mesma reclamação é feita por um dos representantes da comissão de moradores, José Aniceto. "O prefeito esteve aqui sábado e disse que não aconteceria isso, para a gente ficar tranqüilo. Se acontecesse, ele prometeu uma área para conduzir o povo, na Vila Lourdes." Aniceto diz, ainda, que a comissão orientou os moradores para que deixassem suas casas pacificamente, de forma a evitar confronto com a polícia. Na segunda-feira, alguns moradores teriam levantado a hipótese de invadir escolas da Prefeitura em represália, o que não ocorreu.

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