Famílias deixam Largo do Paiçandu 3 meses após incêndio

Famílias deixam Largo do Paiçandu 3 meses após incêndio

Gradis que separavam barracas dos sem-teto que viviam na praça desde o desabamento do Edifício Wilton Paes de Almeida foram retiradas

Marco Antônio Carvalho, O Estado de São Paulo

10 Agosto 2018 | 19h58

SÃO PAULO - Os sem-teto que ocupavam o Largo do Paiçandu, no centro de São Paulo, desmontaram as barracas na tarde desta sexta-feira, 10. O acampamento foi erguido no local após o desabamento do Edifício Wilton Paes de Almeida, em 1.° de maio. Na noite desta quinta-feira, 10, equipes de limpeza trabalhavam no local, que já não conta mais com os gradis que separavam as pessoas desabrigadas do passeio público. 

Segundo a Prefeitura, as famílias que permaneciam na área nos últimos meses não tinham relação com o edifício, mas se tratavam de pessoas em situação de rua. A administração municipal disse que as pessoas haviam vindo de outras regiões da cidade na expectativa de recebimento de algum benefício. 

Nas últimas semanas, a Prefeitura disse ter intensificado o trabalho de abordagem na tentativa de uma desocupação voluntária da praça e, desde então, "o número de famílias acampadas foi reduzido de 132 para 37 famílias."

"As famílias remanescentes e que aceitaram acolhimento estão sendo encaminhadas para as 14,5 mil vagas da rede de assistência social, com estrutura para população em situação de rua e espaços adequados ao perfil familiar", informou a gestão do prefeito Bruno Covas (PSDB), que deverá visitar o largo neste sábado, 11.

A praça terá a limpeza reforçada, já que a Prefeitura diz que as ações de zeladoria vinham sendo impedidas pelaa famílias, "o que gerou aumento da insalubridade da área e colocou em risco a saúde das famílias que insistem em permanecer no espaço público".

A administração relatou ter analisado pedidos de 435 famílias que se apresentaram como vítimas, sendo que 291 comprovaram morar na ocupação e estão recebendo auxílio moradia.

Comerciantes das imediações do Largo do Paiçandu elogiaram o fim do acampamento. “Aquilo nos atrapalhava demais. Já cheguei a ver assaltos cometidos a pedestres, que posteriormente a pessoa entrava no acampamento e ninguém mais conseguia dizer quem era. Então, agora há mais segurança”, disse o comerciante Raimundo dos Santos, de 40 anos.

Uma base da Guarda Civil Metropolitana (GCM) estava instalada no local ontem e realizava  segurança da área. Outro que gostou da medida foi Vanderlei Siciliato, de 54 anos, balconista de uma farmácia próxima. “A sujeira estava demais. As pessoas até evitavam passar aqui perto, o que nos prejudicava, sem dúvida.” 

Eles relataram que não houve q de resistência das famílias em deixar o local, diferentemente do comportamento notado em outras oportunidades, quando a Prefeitura tentou agir da mesma forma. 

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