Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Famílias de prédio invadido no centro de SP deixam edifício

Reintegração de posse está sendo acompanhada pela Guarda Civil Metropolitana e pela Polícia Militar, no local desde as 7h30

Ricardo Valota e Felipe Tau, O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2012 | 10h44

SÃO PAULO - As cerca de 100 famílias de sem-teto que ocupavam um prédio de seis andares na Avenida Ipiranga, 908, no centro da capital paulista, começaram a deixar o edifício pacificamente por volta das 9h50 desta terça-feira, 28. A reintegração de posse está sendo acompanhada pela Guarda Civil Metropolitana e pela Polícia Militar, no local desde as 7h30.

Os moradores protestaram no começo da manhã e chegaram a se recusar a sair, mas aceitaram abandonar o edifício após negociações com autoridades. A PM informa que cerca de 200 pessoas estão sendo removidas.

De acordo com a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), as famílias foram visitadas na segunda-feira, 27, por assistentes sociais da pasta para que se cadastrem nos programas de moradia da Prefeitura de SP. Elas devem comparecer à Central da Habitação, na Avenida São João, 299, para preencher um formulário.

Segundo a Frente de Luta por Moradia (FLM), entre as pessoas que invadiram o prédio, no final de 2011, há 78 crianças. O dono do edifício - não informado pela Sehab - obteve uma liminar na Justiça a favor da retomada do prédio.

"Esse prédio foi lacrado pela Prefeitura por causa de infiltrações e problemas com a rede de esgoto. Depois que ocupamos o prédio, conseguimos consertar os vazamentos, as infiltrações e trocamos o encanamento", afirmou Osmar Silva Borges, coordenador do movimento.

Ele disse também que as famílias que estão no prédio conseguiram emprego e que as crianças frequentam escolas, tudo na região central. "Se formos retirados, teremos que ficar na rua mesmo. Não temos para onde ir. As crianças terão que deixar a escola e muitos perderão o emprego. Existe um preconceito muito grande contra quem não tem residência fixa ou mora em albergue", acrescentou Borges.

Outras 117 famílias, da mesma frente, também ocupam um prédio, de quatro andares, na altura do nº 588 da Avenida São João, totalizando nos dois imóveis cerca de 200 crianças. Todas fazem parte do mesmo movimento que iniciou várias ocupações em 2009 na zona leste da capital. Desde então, segundo a FLM, estas famílias tentam com a Prefeitura a construção de moradias populares.

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