Famílias de mortos e de PMs fazem atos de protesto

Parentes de dois rapazes assassinados organizaram manifestação em Barueri; manifestantes ligados a policiais foram à Paulista

PABLO PEREIRA, CAMILA BRUNELLI, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2012 | 02h03

Dois atos realizados ontem, na capital e em Barueri, na Grande São Paulo, protestaram contra a violência em São Paulo. Uma manifestação foi organizada por duas famílias que perderam dois rapazes. A outra reuniu parentes e amigos de policiais. Em comum, os participantes dos dois atos criticaram o governo do Estado e a segurança pública.

As famílias Mattos e Turquetti se reuniram de manhã em Barueri para protestar contra as mortes de Pedro Mattos e Pedro Turquetti, ambos de 22 anos, mortos a tiros por desconhecidos na noite do dia 8, quando comemoravam em uma praça em Santana de Parnaíba, cidade vizinha, o aniversário de um colega que também foi baleado no ataque, mas sobreviveu.

Cerca de 250 pessoas, vestindo camisetas com a inscrição "Pedros", caminharam em torno da praça central da cidade, na Avenida Henriqueta Mendes Guerra, portando faixas contra a violência. "O governador diz que está tudo sob controle porque a família dele anda com escolta", afirmou ao microfone Raul Turquetti, irmão de uma das vítimas.

Segundo Carolina Trujillo, uma das organizadoras do ato, amiga dos dois rapazes, eles eram conhecidos da comunidade. "Não podemos ficar sem fazer nada diante dessa violência. É preciso que haja justiça e paz", defendeu Carolina.

Maria Aparecida Mattos e Rosa Turquetti, mães dos rapazes mortos, participaram do ato amparadas por parentes e amigos. "Dizem que foi um justiceiro, outros que o atirador só queria ver se as armas funcionavam", disse Márcio José da Silva, tio de Pedro Mattos, que trabalhava em uma empresa em Alphaville. "Não sabemos de nada. A polícia só diz que está investigando."

A estudante Eveline Paes, de 22 anos, namorava Pedro Turquetti desde 2006. O rapaz cursava Sistemas de Informática na USP-Leste e trabalhava na prefeitura de Baureri. Aluna de Veterinária na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Eveline acompanhava a manifestação calada. "Não se pode tratar essas mortes como se fossem só números", pediu, durante a passeata.

Para o padre Mauro Sérgio, da Paróquia de São Pedro, em Carapicuíba, a região vive clima de insegurança. "Em mais de 20 anos de sacerdócio nunca vi uma matança assim." O padre conhece as famílias dos rapazes desde 1974. "Vi os meninos crescerem. Fomos criados não para matar, mas para viver."

Masp. Um ato ecumênico contra a violência reuniu 50 pessoas, entre parentes, amigos de policiais e políticos no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, região central da capital, na tarde de ontem. Os manifestantes exibiram 92 cruzes para simbolizar os policiais mortos desde o início do ano e, às 16h, seguiram em passeata para o Mausoléu da Polícia Militar no Cemitério do Araçá, na Avenida Doutor Arnaldo, em Pinheiros, na zona oeste.

A maioria criticou o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, de serem omissos em relação à onda de violência no estado. O diretor da Associação de Praças da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo do Espírito Santo Neto, disse que a entidade estuda a possibilidade de processar o secretário e o governador.

"Nós, policiais, hoje temos dois inimigos: de um lado o PCC, de outro o governo do Estado. O governo tem de mostrar minimamente que está gerindo a segurança", protestou o deputado estadual Major Olímpio Gomes (PDT). Para o vereador eleito pelo PSDB Coronel Telhada, a solução é mudar a legislação federal. "O governador e a polícia estão de mãos atadas. Queremos bater forte no crime, mas temos uma legislação que tem de ser seguida. Não podemos sair matando todo mundo. Hoje o criminoso preso tem vantagens que o estimulam a continuar no crime."

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