Familiares recebem pertences das vítimas do acidente da TAM

No total são 41 caixas com 1.828 envelopes plásticos contendo os objetos encontrados no local do acidente

Patricia Lara, da Agência Estado e Fabiana Marchezi, do estadao.com.br,

29 de março de 2008 | 13h58

As famílias das vítimas do acidente com o vôo da TAM JJ-3054 receberam neste sábado, 29, os objetos pessoais dos mortos na tragédia que aconteceu em 17 de julho de 2007. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado, a entrega começou às 8 horas e deve se estender até as 20 horas no hotel onde os parentes estão hospedadas.    Veja também: Promotor de acidente da TAM não vê atraso em inquérito. Quem são as vítimas do maior acidente aéreo da história brasileira. Veja vídeo do acidente com o vôo 3054  O Airbus - A320 que fazia o vôo da TAM JJ-3054 chegou a pousar no aeroporto de Congonhas, mas, como não conseguiu frear, bateu contra um prédio da TAM Express, provocando a morte de 199 pessoas, entre passageiros, tripulantes, pedestres e funcionários da TAM que trabalhavam no edifício. Segunda a Secretaria de Segurança Pública, no total são 41 caixas com 1.828 envelopes plásticos contendo os objetos encontrados no local do acidente. Após serem catalogados e fotografados, os objetos foram reconhecidos pelas famílias por meio das fotos feitas pela empresa americana Global BMS, contratada pela TAM para realizar os trabalhos de busca e recuperação.  Acordos Quase um ano depois do acidente, a TAM já fechou acordos indenizatórios com 61 famílias de vítimas e está em processo de negociação com outras 35, segundo o presidente da companhia, David Barioni Neto. Barioni, não revelou os valores desses acordos. Os familiares das vítimas não conseguiram do presidente da companhia aérea, David Barioni Neto, o compromisso de que a adesão à Câmara de Conciliação Não Judicial não impediria o andamento de processos judiciais no Brasil ou nos EUA. A Câmara de Conciliação foi proposta pela TAM como uma forma extra-judicial de agilizar as indenizações por danos morais e materiais aos parentes da vítimas. A criação da Câmara foi um pedido dos próprios familiares. Advogados estrangeiros que representam 59 famílias de vítimas querem da empresa um compromisso de que a TAM não usará a adesão à Câmara de Conciliação como um empecilho para o andamento dos processos que correm na Justiça brasileira e nos EUA. O presidente da TAM não deu essa garantia na reunião que está ocorrendo neste sábado, 29, no hotel Quality Suítes Congonhas, na zona sul de São Paulo. Essa falta de compromisso provocou indignação entre os familiares das vítimas. Barioni solicitou que os advogados encaminhem um pedido por escrito para que este seja levado ao Departamento Jurídico da TAM. Segundo a promotora de Justiça do Consumidor, Deborah Pieri, a Câmara é uma alternativa mais rápida de solução do conflito. "É uma forma de incentivar soluções alternativas, não impede que as pessoas procurem a Justiça do País ou dos EUA", disse ela. A Câmara de Conciliação conta com a participação de advogados da TAM, representantes do Procon, da Defensoria Pública, Ministério Público do Estado de São Paulo, Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça e da seguradora Unibanco/AIG. "O intuito é evitar a demora tão criticada no Judiciário", disse Pieri. Os advogados estrangeiros, no entanto, acreditam que a Câmara pode engessar os parâmetros da negociação para indenizações. A idéia da Câmara é definir parâmetros de indenização considerando "decisões ótimas" já tomadas em ações judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Porém, os advogados estrangeiros acreditam que alguns casos podem render valores de indenização acima desses parâmetros. A reunião prossegue durante este sábado e os familiares pretendem realizar, à tarde, uma manifestação no aeroporto de Congonhas, em conjunto com familiares das vítimas de outro acidente aéreo, o do vôo Gol 1907, que se chocou com um jato Legacy em 29 de setembro de 2006 e caiu na floresta amazônica, causando a morte de 154 pessoas.

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