Familiares recebem bem fim de inquérito da tragédia da TAM

Dez pessoas foram indiciadas por sucessão de falhas que causou o maior acidente aéreo da história brasileira

Carlos Alberto Fruet, especial para O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2008 | 17h00

O término do inquérito sobre as causas do acidente da TAM, que causou a morte de 199 pessoas, foi bem recebido pelos diretores da Associação dos Familiares das Vítimas do Acidente da TAM (Afavitam). O presidente da entidade, Dário Scott, que mora em São Leopoldo, na região metropolitana de Porto Alegre, disse, na tarde desta sexta-feira, 14, que o provável indiciamento de dez pessoas, entre eles ex-integrantes da cúpula da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), era o que estava dentro de suas previsões. "Era tudo o que nós (parentes das vítimas) esperávamos. Agora precisamos saber dos detalhes do inquérito, que o delegado Antônio Carlos Barbosa, vai enviar ao Secretário de Segurança Pública". Veja também:Perícia aponta falhas de TAM, piloto, pista e Anac em acidente No pouso, piloto errou posição de manetes do AirbusLaudo do IC destaca 'stress' da tripulação do vôo 3054O que mudou - e o que não mudou - desde o acidente da TAMTV Estadão: Os registros das câmeras de segurança na hora do pousoOs nomes e as histórias das vítimas do acidente da TAMFamílias de vítimas da TAM entregam projeto de memorialTudo o que já foi publicado sobre a tragédia do vôo 3054  Comedido em suas palavras, Scott, pai da menina Thaís, que tinha 14 anos na época do acidente, concorda com o promotor Mário Luiz Sarrubo, que a tragédia não aconteceu por fatos isolados. "Aconteceram erros de todos os lados e toda a sociedade brasileira finalmente saberá o que realmente ocorreu". Já o 1º secretário da entidade, Christoph Haddad, pai da jovem Rebeca, também 14 anos, foi mais enfático em sua manifestação sobre a conclusão do inquérito. "Foram 16 meses de angústia e espera. Sei que a lista com os nomes dos dez indiciados está sob sigilo. Mas chega de enrolação e desse quase eterno 'cheiro de pizza'. Que os culpados sejam punidos conforme o inquérito do delegado Barbosa". Os dois dirigentes da associação são unânimes em afirmar que apontar erros dos pilotos Kleiber Lima e Henrique Stefaninni di Sacco por estresse não é correto. "Se estavam estressados é por culpa exclusiva da TAM, que não dava boas condições de trabalho a eles e os ameaçava de demissão em caso de reclamação", apontou. Todos os detalhes do inquérito serão discutidos na reunião mensal da Afavitam, no próximo final de semana, em São Paulo. "Aí já poderemos ter maiores informações sobre as conclusões do inquérito", concluiu Haddad.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.