Familiares de vítimas da violência fazem ato pela paz na Grande São Paulo

Manifestação em Barueri é organizada por parentes de Pedro Turquetti e Pedro Mattos, executados em Santana de Parnaíba quando se preparavam para comemorar o aniversário de um amigo

Felipe Tau - O Estado de S. Paulo,

14 de novembro de 2012 | 18h50

SÃO PAULO - Um ato para lembrar a execução de dois jovens moradores de Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, na semana passada, será realizado no município nesta quinta-feira, 15. Pedro Turquetti e Pedro Mattos, então com 22 anos, foram mortos a tiros na madrugada do dia 9 em uma praça de Santana de Parnaíba, a poucos metros de Delegacia de Homicídios. Eles esperavam a meia-noite para celebrar o aniversário de um colega, baleado de raspão no braço.

A manifestação irá começar às 10h no boulevard do centro da cidade, na Avenida Henriqueta Mendes Guerra. Um total de 13.849 pessoas foram convidadas pelo Facebook, das quais 698 confirmaram presença. Familiares e amigos dos Pedros, como são chamadas as vítimas, vão proferir algumas palavras, e líderes religiosos transmitirão suas mensagens no final do ato.

"Eu gostaria que as autoridades pudessem valorizar mais a vida das pessoas. Todo dia a gente ouve que alguém morreu, mas não são só números: são sonhos, são famílias", disse a estudante de veterinária Eveline Paes, que completaria sete anos de namoro com Pedro Turquetti no dia 9 de dezembro.

Na noite em que o namorado e o amigo morreram, a Grande São Paulo teve um dos maiores picos de violência desde que começou a onda de execuções no Estado, com 15 mortes em um período de 17 horas, entre quinta e sexta-feira. Mais de 160 pessoas foram assassinadas na Grande São Paulo desde o dia 24 de outubro.

Eliane cursa a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em Seropédica, e vinha mantendo um namoro a distância com Turquetti, com quem planejava se casar. Um dia depois da morte do namorado, se reuniu com familiares e amigos na casa da sogra e resolveu fazer um ato pela paz.

A cunhada de Eveline, Elys Turquetti, a prima de Pedro, Gilmara Turquetti, e uma amiga da vítima ajudaram a organizar a manifestação, na qual serão distribuídas 500 camisetas com a imagem das vítimas.

Pedro Turquetti estava no 3º ano de Sistemas de Informação da USP Leste e trabalhava como técnico em Informática no Instituto Tecnológico de Barueri (ITB), cidade onde morava com a mãe, outro irmão e uma irmã. Segundo a família, ele ajudava a pagar as contas da casa e auxiliava a namorada a manter-se no Rio de Janeiro.

O crime. Os Pedros e um amigo estavam em uma praça na Rua Capricórnio, a poucos metros da Delegacia de Homicídios de Santana de Parnaíba, esperando dar meia-noite para comemorar o aniversário de um colega. De repente, um motoqueiro e um garupa apareceram e, sem dizer nada, começaram a atirar. Turquetti e o colega Pedro Mattos morreram no local. O aniversariante acabou baleado de raspão no braço e sobreviveu. De acordo com Eveline, a família do rapaz está muito abalada e o mantém fora da cidade com medo de represálias.

Mortes em Barueri. No dia 26 de outubro, dois homens em uma moto balearam três jovens que conversavam na Avenida Marginal Esquerda, no Jardim Paulista, às 22h. O auxiliar Elison Humberto dos Santos Melo, de 21 anos, e a estudante Kamellyn Santos Avvi, de 17, morreram. Uma vendedora de 21 anos sobreviveu.

 

O MAPA DA VIOLÊNCIA NA GRANDE SÃO PAULO

 

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