Familiares começam a enterrar primeiras vítimas

Zelador e administrador foram sepultados ontem. Comoção de parentes e amigos marca despedida de mortos pela tragédia

GLAUBER GONÇALVES , PEDRO DANTAS / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2012 | 03h03

As famílias começaram ontem a enterrar as vítimas da tragédia. Sob uma chuva fina, cerca de 30 pessoas acompanharam o enterro do corpo de Cornélio Ribeiro Lopes, de 73 anos, no cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul do Rio. Ele era zelador do Edifício Liberdade, o primeiro a desmoronar, e morava no 18.º andar.

Muito abalada, a filha de Lopes, Sandra Maria Ribeiro, falou rapidamente com os jornalistas. "Não estou culpando ninguém, mas futuramente é outra história", disse. A aposentada Beatriz Ferreira de Souza, de 64 anos, contou que conhecia Lopes há 20. "Fomos vizinhos por muito tempo. Era uma ótima pessoa", afirmou. Segundo ela, Margarida Vieira de Carvalho, que também morreu no desabamento, era a segunda mulher de Lopes.

Roberto Carlos, de 44 anos, sobrinho do zelador, contou que o tio veio "ainda jovem" do Ceará. Ele passava praticamente o dia todo no prédio e nunca havia reclamado de problemas na estrutura. "Podia haver um problema ou outro no trabalho, mas isso é normal", disse.

Mais cedo, cerca de 200 pessoas acompanharam o enterro do administrador Celso Renato Braga Cabral Filho, de 46 anos, no Cemitério de Maruí, em Barreto, Niterói. "Meu filho não merecia esse fim. A apuração é responsabilidade das autoridades. Só não quero que outra família passe por isso", afirmou o pai dele, Celso Renato Cabral.

Celso deixou um casal de filhos, de 17 e 19 anos. Muito abalada, a viúva, Eunice Cabral, não quis dar declarações. "O primeiro emprego dele foi na minha empresa. Recentemente, Celso contou que o ambiente no atual trabalho era muito bom e que estava feliz. Ele tinha muitos amigos. Esse rapaz sempre lutou muito na vida fazendo faculdade e trabalhando ao mesmo tempo", afirmou o padrinho de Celso, o engenheiro civil José Affonso Barbosa, de 81 anos.

Celso trabalhava na empresa Tecnologia Organizacional (TO), que realizava obras em dois andares do prédio. Os 15 colegas de trabalho de Celso que foram ao enterro ficaram juntos o tempo todo e não quiseram falar com os jornalistas. Há suspeitas de que essas obras possam ter abalado a estrutura do prédio, segundo peritos do Conselho Regional de Engenharia do Rio. Sócios da empresa negam.

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