Epitacio Pessoa/AE
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Família morre soterrada por deslizamento em Jundiaí

Acidente aconteceu em área considerada de risco, segundo a Defesa Civil do município

Tatiana Fávaro, O Estado de S. Paulo

06 Janeiro 2011 | 03h43

CAMPINAS - Uma família inteira morreu soterrada após deslizamento de terra provocado pela chuva, na noite de quarta-feira, 5, na periferia de Jundiaí, no interior de São Paulo. Pai, mãe e duas garotas, uma com 9 e outra com 4 anos, dormiam quando parte de um barranco caiu sobre a casa, no Jardim São Camilo. Segundo informou a Defesa Civil, a casa estava em área de risco.

 

Os vizinhos tentaram socorrer as vítimas, mas não conseguiram. Equipes do Corpo de Bombeiros trabalharam no lugar durante toda a madrugada e o último corpo foi encontrado por volta de 4h30. Até o fim da tarde desta quinta-feira não havia informações sobre onde seriam enterrados os corpos das vítimas.

 

"Foi horrível, porque isso aqui (o bairro) virou uma loucura, todo mundo ficou desesperado e ninguém conseguia fazer nada", disse a vendedora Maria Angélica dos Santos Siqueira, de 36 anos, moradora do Jardim São Camilo e mãe de dois filhos, com 8 e 5 anos. "A gente que é mãe fica numa agonia nessas horas", afirmou.

 

O auxiliar de serviços gerais Geraldo Duarte Santos, de 48 anos, disse que os moradores ficaram assustados mesmo o dia tendo amanhecido com sol. "O problema é que não pára de chover. Está sol, mas o tempo vai armando e a gente fica com medo de que aconteça alguma coisa com a casa da gente", disse.

 

A Prefeitura de Jundiaí informou, por meio de assessoria, que a Defesa Civil identificou mais seis casas em situação de risco e as famílias estão sendo removidas para abrigos improvisados. Em 2010, 40 famílias foram retiradas do Jardim São Camilo, segundo a administração. O local possui 1.892 moradias. A Prefeitura informou que realiza obras de contenção de taludes e começou o desenvolvimento de um projeto para construção de moradias para a população do bairro.

 

Outros bairros da cidade foram prejudicados. No Jardim Balsan seis moradias foram interditadas e no Jardim Sorocabana a água subiu dois metros e alagou 178 moradias. De acordo com a Fundação Municipal de Ação Social (Fumas), a média histórica de chuva registrada em Jundiaí nos meses de janeiro é de 294 milímetros. De 1º a 6 de janeiro de 2011, o volume alcançou 236 milímetros. Das 22 horas de quarta-feira às 2 horas desta quinta choveu o equivalente à 107 milímetros, segundo informações da Fumas.

 

Sumaré. Mil famílias sofrem com as chuvas em Sumaré, na região de Campinas. O município está em estado de alerta. Segundo informou a Coordenadoria Regional de Defesa Civil em Campinas, o índice pluviométrico acumulado em 48 horas apontava ontem 165 milímetros, volume equivalente a 165 litros de água por metro quadrado, e o que provocou o alagamento de 14 bairros, com a cheia do Ribeirão Quilombo.

 

 

Ao menos 23 cidades da região de Campinas estão em estado de atenção. A Prefeitura de Sumaré informou, por meio de assessoria, que disponibiliza abrigo para as famílias vítimas das enchentes. Nesta quinta-feira, 6, seis Centros de Referência em Assistência Social receberam os moradores. A administração recebe donativos das 8 às 16 horas na Secretaria de Inclusão, Assistência e Desenvolvimento Social, à Avenida Brasil, 1.111, Jardim Nova Veneza.

 

Atibaia. O Rio Atibaia começou a baixar segundo informou a Defesa Civil da cidade, mas ainda estava 1,20 metro além da calha nesta quinta-feira.

 

De acordo com a Prefeitura, chegam a 103 os desabrigados (pessoas retiradas de suas residências e abrigadas em escolas e espaços públicos) e 317 pessoas desalojadas (em casas de parentes e amigos).

 

As cheias atingiram 11 bairros. A administração informou que, diferentemente do ano passado, quando havia contribuição de água pelas represas do Sistema Cantareira, o rio encheu neste ano apenas pelo excesso de chuva.

O acumulado nos últimos cinco dias chega a 168 milímetros, 50% do esperado para todo mês. A expectativa é de mais chuva na próxima semana. As equipes da Prefeitura e da Defesa Civil continuam em alerta.

 

Em Itatiba, 27 pessoas estão em abrigos após pontos de alagamento terem sido registrados por toda a cidade desde terça-feira. Segundo informou a Prefeitura, por meio de assessoria, o índice acumulado dos últimos três dias foi de 92,36 milímetros e o monitoramento da Defesa Civil e Corpo de Bombeiros ocorre ininterruptamente por toda a cidade.

 

Texto atualizado às 16h42.

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