FELIPE RESK/ESTADÃO
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Família é executada a tiros na Grande SP

A principal suspeita da Polícia Civil é que o casal de idosos e o filho deles tenham sido vítimas de uma tentativa de assalto mal sucedida

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

30 de outubro de 2015 | 13h42

ATIBAIA - Uma família foi executada a tiros na chácara onde morava, na região de Atibaia, na Grande São Paulo, na noite desta quinta-feira, 29. A autoria dos assassinatos ainda é investigada. A principal suspeita da Polícia Civil é que o casal de idosos e o filho deles tenham sido vítimas de uma tentativa de assalto mal sucedida.

O crime aconteceu no condomínio Chácaras Recreativas Bemge, em uma área rural do município, localizado na divisa com Terra Preta, distrito de Mairiporã. O acesso ao local é feito por uma estrada de terra, em uma das entradas da Rodovia Fernão Dias. Moradores afirmam se tratar de uma região tranquila.

Por volta das 20h30, vizinhos ouviram o barulho de tiros e chamaram a Polícia Militar. O primeiro corpo encontrado pelos policiais foi o do auxiliar de enfermagem Antônio Alexandre de Oliveira, de 39 anos - caído próximo ao alambrado que cerca a propriedade. Ele estava de cueca e uma toalha enrolada na cintura. Investigadores acreditam que a vítima estaria prestes a entrar no banho quando ouviu uma confusão na casa ao fundo do terreno, onde os pais moravam.

Oliveira foi alvejado na perna esquerda e na coxa - o que faz os policias suspeitarem que ele ainda tentou sair correndo. Recebeu o último tiro na nuca. A poucos metros dele, na varanda, estava a mãe, a aposentada Cleusa Siqueira de Oliveira, de 65 anos, alvo de dois tiros no rosto. O pai, Antônio Rodrigues de Oliveira, de 69 anos, aposentado, foi encontrado no chão da cozinha, também alvejado na face. Os disparos, segundo a Polícia Civil, foram feitos à curta distância.

A chácara onde houve o ataque é uma das mais simples do condomínio, com dois imóveis pequenos, gramado e um lago artificial. As vítimas são consideradas pelos investigadores de "classe média baixa" e a propriedade, "um sonho do casal". O único bem roubado foi um Chevrolet Vectra, que pertencia ao filho e foi usado pelos criminosos na fuga. Ainda assim, a principal hipótese é que a família tenha sofrido uma tentativa de assalto, reagido e acabado morta. Uma execução premeditada, no entanto, não foi descartada.

Os quatro estojos coletados na cena do crime levam a Polícia Civil a crer que até dois criminosos participaram do ataque. As cápsulas recolhidas são de calibre .40, de uso restrito. A pistola pode ter pertencido a um policial civil, assaltado recentemente em Mairiporã. Exames ainda vão apontar se outras armas foram usadas. "As vítimas apresentam mais disparos no corpo do que a quantidade de projéteis que conseguimos recolher", afirma o delegado Elton Martins, do Setor de Investigações Gerais (SIG), de Atibaia. 

Martins acredita que os criminosos acessaram a chácara pelos fundos, onde há um gramado livre, fora da área do condomínio. O cercado estava rompido no local. Depois, os assaltantes teriam entrado na casa dos idosos e abordado o pai, que possivelmente reagiu. Ao lado do seu corpo, foi encontrado o cabo de uma faca. A lâmina foi recolhida pela perícia fora do imóvel. O quarto do casal estava revirado e com duas marcas de sangue, que a Polícia desconfia ser de algum bandido. Nenhuma vítima de arma branca deu entrada à noite em hospitais da região.

A casa em que o filho morava, um pouco acima, estava praticamente intacta. Os bandidos só teriam entrado lá para pegar a chave do carro. Em depoimento, um vizinho afirmou não ter percebido nenhuma movimentação estranha antes de ouvir os disparos. "Penso que os criminosos viram a possibilidade de um ganho fácil, mas o assalto deu errado. Para não serem reconhecidos, mataram todos da casa", afirmou Martins, que não descarta a hipótese de os assassinos serem conhecidos da família ou morarem na região.

Oliveira trabalhava em um hospital da capital, para onde ia diariamente. Já os pais viviam da aposentadoria e tinham outros dois filhos, que moram em São Paulo. Até o momento, não há indícios de disputas de bens entre parentes ou relatos de inimigos da família. "Todo mundo gostava deles", afirmou o vizinho Pedro Serpa, de 56 anos, que recebeu a visita do aposentado no dia em que foi morto. "Às vezes, ele vinha tomar café com a gente. Nunca soube de nenhuma ameaça", disse.

Há poucos dias, o idoso teria se envolvido em um breve bate-boca com um funcionário do condomínio. A Polícia afirma que a discussão foi branda, dificilmente motivaria o crime e o homem não é considerado suspeito. A portaria do condomínio fica aberta e não há controle de entrada e saída no local. Os policiais também não encontraram imagens de câmeras de segurança que possam ajudar a esclarecer o caso.

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