Reprodução/TV Bandeirantes
Reprodução/TV Bandeirantes

Família diz que viu pela TV morador de rua ser morto na igreja da Sé

Os parentes de Francisco Erasmo Rodrigues, de 61 anos, e de Luiz Antonio da Silva, de 49 anos, estiveram no IML

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

05 de setembro de 2015 | 12h48

SÃO PAULO - As famílias dos dois homens mortos na Praça da Sé estiveram uma ao lado da outra, sem se falar, na manhã deste sábado, no Instituto Médico Legal (IML). Apenas os parentes do pedreiro e morador de rua Francisco Erasmo Rodrigues de Lima, de 61 anos, quiseram falar. Eles viram as cenas dele sendo morto por Luiz Antonio da Silva, de 49 anos, pela televisão. Os parentes do assassino, morto por uma série de disparos da PM após atingir Lima, preferiram o silêncio. 

“Fiquei muito nervosa porque desde pequena eu convivi (com o pedreiro), fiquei surpresa quando vi ele de longe indo em direção à mulher. Foi uma atitude forte”, disse a estudante de Direito Ione Gabriela Reis, de 19 anos, sobrinha de Lima. Ela afirmou que admirou a escolha que o tio fez em intervir de forma “corajosa” na ação.

De acordo com ela, o tio vivia na rua há dez anos, desde que se separou da mulher. O morador de rua passava as noites em um albergue na região central, fazia ligações periódicas de telefones e públicos e carregava uma bolsa com os equipamentos que usava nos bicos de pedreiro e eletricista que fazia. 

Lima tinha quatro filhos - um deles falecido - que viam o pai em longos intervalos de tempo. A filha mais velha dele, a desempregada Juliana Aparecida Pereira de Lima, de 32 anos, contou que não o via há mais de dois anos. 

Ela ficou sabendo da morte do pai através do celular. “Eu tomei um susto quando comecei a receber os vídeos e as fotos por WhatsApp. Reconheci ele na hora.” 

A primogênita afirmou ainda que o pai teve problemas com bebida e com a Justiça no passado, mas que as últimas notícias que teve do pai deram conta de que ele “estava tranquilo”. Ela não sou explicar a passagem por homicídio que o pai tinha. “Não sei o motivo dele ter ficado preso. Mas ele bebia, se envolveu em alguns ‘rolos’ no passado, só que isso já faz tempo.”

Até o início desta tarde, a família não tinha conseguido fazer a liberação do corpo para sepultá-lo no Cemitério Municipal de Perus, na zona norte de São Paulo. 

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