Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Família diz que vítimas de chacina em São Bernardo morreram por engano

Criminosos mataram quatro jovens na noite desta segunda. Vítimas eram amigos de infância e parentes acreditam que verdadeiros alvos eram suspeitos de roubar motos que moram na região

Marina Dayrell e Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2018 | 21h19

SÃO PAULO - Uma chacina deixou quatro jovens mortos, na noite dessa segunda-feira, 16, em São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo. A Polícia Civil montou uma força-tarefa de delegacias para investigar o crime. Parentes das vítimas dizem que os jovens foram atacados por engano, confundidos com suspeitos da região envolvidos com roubo de motos.

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O crime aconteceu por volta das 23 horas na Rua Edson de Queiroz, rua do Sítio dos Vianas, no limite entre São Bernardo e Santo André. Os amigos de infância Diego da Silva, de 22 anos; Rafael André Borges, de 25; Edival de Lima Júnior, de 23; e Cássio de Almeida Santos, de 23, morreram na frente da Mercearia do Félix após terem sido abordados por cinco homens em três motos, que mandaram eles se virarem de costas e atiraram na cabeça deles.

O grupo estava ali, segundo informações de testemunhas e parentes, comemorando o aniversário de Diego, funcionário da mercearia, onde entregava marmitex no horário do almoço. À noite, das 18 horas às 23h30, trabalhava para uma pizzaria da vizinhança. “Mas naquele dia pediu folga para comemorar o aniversário com os amigos. Tinha passado em casa e disse que voltaria para dormir comigo”, disse a viúva da vítima, Ana Rute, de 20 anos, que fica com os dois filhos do casal, de 3 anos e um bebê de 7 meses.

Na Rua da Embuia, por trás da Edson de Queiroz, onde os quatro cresceram juntos, o clima ontem era de consternação e revolta. Para os amigos, é certo que o grupo foi atacado no lugar de outras pessoas. “Acharam que era uns malandros que roubam moto, e moram ali perto. Mas eles não tinham nada com isso”, disse um amigo, que preferiu não se identificar. 

Para Rute, o que decidiu o destino do seu companheiro foi a jaqueta preta de motoqueiro. “Confundiram ele, com certeza. Morreu inocente”, disse. A Secretaria da Segurança Pública disse que o 1.º DP, o 6.º DP e a Divisão de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) participam das investigações.

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