Família de jovem que morreu na Itália quer diário de bordo

Segundo o Itamaraty, a garçonete Laís Santiago, de 21 anos, pulou no mar com a embarcação em movimento

O Estado de S.Paulo,

06 de junho de 2012 | 03h04

Texto atualizado às 17h35.

SANTOS - O advogado da família de Laís Santiago, Vicente Cascione, solicitou ao Consulado Geral do Brasil em Roma o diário de bordo que a jovem mantinha na cabine. Ele acredita que o livro pode ajudar nas investigações. Segundo o Itamaraty, a brasileira, que trabalhava como ajudante de garçom, pulou em alto mar, com a embarcação em movimento. Câmeras de monitoramento do navio Costa Mágica registraram o momento em que a garçonete saltou no mar, por volta das 2 horas da madrugada do último sábado.

Cascione agora tem o contato direto do procurador italiano responsável pela investigação do caso. Ele espera que com uma procuração de Maria Inês Santiago, mãe da tripulante, o acesso às informações seja mais rápido. O documento ainda precisa ser autenticado no Consulado Italiano."Se o procurador não liberar o material solicitado, posso ir pessoalmente à Itália", disse.

Cascione já havia solicitado nesta segunda-feira que o órgão pedisse às autoridades italianas as imagens do salto dela para o mar e também as que as antecedem. Ele também pede cópias dos depoimentos prestados, contatos de tripulantes próximos a Laís, além de informações sobre a rotina da jovem, como medicamentos que ela possa ter tomado durante a viagem. O advogado teve acesso ao notebook, que estava no quarto da casa onde a jovem morava em Santos, litoral de São Paulo. "No computador pode haver alguma informação que ajude nas investigações."

A empresa Costa Cruzeiros ainda não entrou em contato com a família de Laís . Vicente Cascione afirma que as autoridades italianas também acreditam que uma falha grave foi cometida durante os procedimento do transatlântico. "Se o navio é monitorado, alguém deveria estar vigiando a central 24 horas. Se não viram, foi negligência. Se viram, por que não avisaram o comandante para que parasse o navio e efetuasse o resgate? Procedimento obrigatório da legislação internacional. Se avisaram, a situação é ainda mais grave", explicou o advogado.

As observações estão ligadas ao comunicado do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) de que as câmeras de monitoramento do transatlântico registraram o momento em que uma mulher se jogou em alto mar, com a embarcação em movimento, às 2 horas da madrugada de sábado, após alguns minutos de hesitação. O Itamaraty presume que ela faleceu após a queda, de uma altura de 20 a 30 metros.O sumiço da brasileira foi registrado às 9h30 da manhã de sábado. A família foi comunicada pela empresa que recrutou Laís para o serviço. "Eles contaram que ela trabalhou normalmente na manhã de sexta-feira, mas não apareceu para o turno das 18h. Procuraram por ela em todo navio, mas não conseguiram encontrá-la. Eles garantiram que ela não saiu do navio. As coisas dela, os documentos ainda estão na cabine".

No último contato de Laís com a mãe, no dia 23 de maio, ela teria dito que voltaria a Santos, no dia 28 de junho, adiantando o retorno que estava previsto só para dezembro deste ano. Segundo o advogado, a jovem teria dito à família que estava insatisfeita com o excesso de trabalho e a troca de funções. "Ela estava atuando como catadora de lixo". As buscas pelo corpo continuam na Itália, com barcos e aviões da Guarda Costeira de Catânia.

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