Família de ciclista morto decide acionar filho de Eike na Justiça

Parentes pedem ressarcimento moral e material por perda de renda mensal de vítima morta em atropelamento

ANTONIO PITA / RIO, O Estado de S.Paulo

20 Março 2012 | 03h03

A família do ajudante de caminhão Wanderson Pereira da Silva, atropelado e morto no sábado por Thor Batista, de 20 anos - filho do empresário Eike Batista e da ex-modelo Luma de Oliveira -, enquanto voltava de bicicleta para casa, decidiu acionar Thor na Justiça e pedir indenização por danos morais e materiais. O laudo que pode determinar as causas do acidente será divulgado em dez dias. Ontem, Eike responsabilizou a vítima pelo acidente e defendeu o filho no Twitter.

Wanderson Silva tinha 30 anos e sustentava a mulher e parentes com o salário de aproximadamente R$ 1.400 mensais. Ele voltava de um supermercado quando foi atropelado na BR-040, na Baixada Fluminense. O valor e as condições do trabalho serão considerados pelo advogado para o cálculo da indenização. Thor Batista, que dirigia o veículo, é um dos herdeiros da sétima maior fortuna do mundo, estimada em U$$ 30 bilhões.

Na tarde de ontem, a família do ajudante de caminhão foi procurada por representantes do empresário para conversar sobre o acidente. O encontro ainda não tem data. O advogado Cléber Carvalho informou que a família tem interesse no diálogo, mas quer saber a verdade sobre o acidente. "Mesmo se houver essa compensação pelo sofrimento, ainda ficará faltando a justiça." Amanhã, Thor prestará depoimento na polícia.

Ele mantém a versão de que o ciclista teria atravessado a pista "inadvertidamente." A família da vítima discorda e diz que testemunhas teriam visto Wanderson no acostamento momentos antes do acidente.

Segundo o advogado, há indícios de que a velocidade do Mercedes era "muito superior" à permitida na via, de 110km/h.

"A distância entre o carro e o corpo de Wanderson era de 150 m e o estado de destruição do carro indica que a vítima foi atingida de frente. Esses indícios levam a crer que Wanderson foi assassinado pela imprudência de alguém", disse o advogado. Cléber Carvalho vai solicitar a reclassificação do crime para homicídio doloso - quando há intenção de matar.

O caso foi registrado pela Polícia Civil como homicídio sem intenção de matar. A investigação aguarda o laudo da perícia, feita no carro ainda no local do acidente. O resultado deve ficar pronto dentro de 10 dias e pode indicar a velocidade do veículo. Caso fique comprovado que Thor dirigia acima do limite permitido, ele pode ser condenado à pena de dois a quatro anos de prisão.

Em defesa do filho, Eike Batista declarou pelo Twitter que a vítima seria a única responsável pelo acidente. "A imprudência do ciclista poderia ter causado a morte de três pessoas. Ele estava atravessando na segunda faixa de uma autoestrada! Simples assim." Durante todo o dia, o empresário respondeu a mensagens dos internautas sobre o assunto.

Para o empresário, Thor teve "muita coragem e hombridade" e sua postura foi "exemplar". "Ele foi educado para ser assim. Fez tudo que um cidadão honrado tem obrigação de fazer! Sou megaorgulhoso." Perguntado sobre o estado psicológico do filho após o atropelamento, o empresário disse que "nunca se sai bem de uma tragédia assim".

Aos seguidores que sugeriam a culpa de Thor pelo acidente, Eike se referia como "tolinhos". "Nessa hora os invejosos espalham sua raiva! Os cães ladram e a caravana passa", afirmou.

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