Faltam verba e interesse, dizem especialistas

Os programas de apoio dos governos estadual e federal à educação infantil tentam corrigir as distorções na distribuição de recursos para os municípios. "A prefeitura ganha um valor fixado por aluno (pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, o Fundeb), mas não se leva em conta a demanda de investimentos iniciais. A verba dá para manter apenas o que já se tem", critica o advogado da ONG Ação Educativa, Salomão Ximenes.

Victor Vieira, O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2014 | 02h05

Ele acredita que, no caso do Creche Escola, o governo do Estado deve reavaliar o desempenho da iniciativa. "Se a finalidade do programa não está sendo alcançada, o Estado não pode se eximir do fracasso. Alegar que faltou capacidade técnica aos municípios constata também a incapacidade técnica do governo estadual de montar um programa factível", afirma.

Para a professora da Faculdade de Educação da USP, Maria Letícia Barros Nascimento, os resultados fracos do programa revelam o desinteresse dos gestores na educação infantil. "Há desleixo. Ninguém acha que as crianças pequenas são importantes. Como não é valor para a sociedade, os prefeitos investem pouco", avalia. O problema mais grave, segundo ela, é que a maioria das prefeituras não tem projeto pedagógico adequado para as novas creches.

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