Faltam obras onde a chuva causou mortes

Reportagem visitou 4 áreas onde 11 pessoas morreram; apesar das promessas, faltou ação

Cristiane Bonfim, O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2011 | 00h00

As casas continuam amontoadas nas margens e até por cima do Córrego Zavuvus, em Americanópolis, zona sul da capital. Desde janeiro de 2010, seis pessoas morreram afogadas ali. E até agora a canalização do "córrego da morte" não passa de promessa do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Em outros dez endereços, onde morreram 12 pessoas no último ano por causa de chuva, pouca coisa mudou. Obras preventivas não saíram do papel.

"Minha vida acabou quando perdi meus dois filhos. Toda vez que chove, choro por mim e outras famílias que perderam parentes", conta a auxiliar de limpeza Simone Camilo da Silva, de 29 anos. Em 25 de novembro, Igor e Herbert, de 10 e 9 anos, foram arrastados e mortos pelo Zavuvus, quando voltavam da escola. A Prefeitura, que demoliu alguns barracos e não voltou mais, informou que está removendo famílias e obras de canalização e drenagem serão prioridade neste ano. Questionado se o adiantamento das obras poderia ter evitado mortes, o secretário de Coordenação das Subprefeituras, Ronaldo Camargo, afirmou que "o projeto não tinha condição nenhuma de ser acelerado."

No Grajaú, zona sul, um deslizamento matou em 21 de janeiro de 2010 José Nivaldo de Oliveira, a mulher e a filha. O local foi interditado e virou ponto de descarte de lixo. O muro de contenção prometido não existe. "Na época, a Prefeitura retirou o entulho e interditou a área. Prometeram mundos e nunca mais deram as caras", disse Edson de Oliveira, sobrinho de José Nivaldo.

No Córrego Ponte Baixa, no Jardim São Luiz, zona sul, onde uma professora morreu afogada ao tentar salvar o carro durante enchente em dezembro, a única obra da Prefeitura até agora foi a reconstrução de 12 metros de um muro. Moradores de seis ruas do entorno tiveram as casas destruídas. Cerca de 50 casas erguidas no leito do rio foram demolidas. A Prefeitura promete realizar obras ainda neste ano.

No mesmo bairro, após a morte de Carlos Gabriel Ferreira do Rosário, de 11 anos, a Prefeitura instalou proteção no bueiro da Rua Professor Horácio Quaglio. Outros dois bueiros - nas Ruas Laerte de Toledo e José Isaías de Paulo - estão abertos. O menino caiu no bueiro e morreu afogado em 28 de janeiro do ano passado. A família conta que entrou com processo contra a Prefeitura e o bueiro só foi fechado seis meses após a morte.

Para Kassab, São Paulo está melhor. "Tenho consciência de que a cidade espera da nossa gestão muito trabalho e dedicação para que a gente possa superar esses problemas. E isso tem acontecido."

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