Falta visão integrada das cidades

Planejar significa antecipar e evitar problemas. A história do planejamento urbano tem muitas tentativas para equilibrar campo e cidade.

Análise: Jonas Rabinovitch, O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2011 | 00h00

As cidades-jardins da Inglaterra (1898), os subúrbios dos Estados Unidos e do Canadá (a partir do século 19), o crescimento de cidades satélites em países como Austrália, China, Índia, Paquistão e Polônia mostram que tentativas de harmonizar campo e cidade não são novidade - mas são cada vez mais importantes.

Ironicamente, foi o desenvolvimento dos transportes que permitiu essas soluções - que, hoje em dia, causam tremendos problemas de transporte, além de congestionamentos, poluição e insegurança em vários níveis.

Muitos desses exemplos fracassaram por uma razão muito simples: não existe uma visão integrada das cidades, fazendo com que projetos urbanísticos cresçam de forma isolada de seu contexto físico, econômico e social. Resultado: as pessoas continuam morando longe do trabalho, o transporte público nem sempre é digno e a infraestrutura é precária.

Sabemos que terra longe da cidade é mais barata, porque não existe infraestrutura. Também sabemos que cidades crescem na direção dos investimentos em infraestrutura.

O poder invisível de localizar investimentos nem sempre segue com planejamento, o que seria bom para a maioria, com frequência privatizando benefícios e socializando prejuízos.

A população urbana mundial ficou maior que a população rural. Hoje existem 19 megacidades com mais de 10 milhões de habitantes, 361 cidades com população entre 1 milhão e 5 milhões, mas a maioria (53%) da população urbana vive em cidades com menos de 500 mil habitantes. Essas estão crescendo mais, representando oportunidade única para não repetirmos erros do passado.

Não estou criticando nenhum projeto específico. Mas, de forma geral, condomínios longe de centros urbanos deveriam acontecer mediante um planejamento integrado de infraestrutura - incluindo tecnologias alternativas - e aspectos de transporte e emprego. Senão, corremos o risco de andar firmes na direção errada.

JONAS RABINOVITCH É CONSELHEIRO DA ONU EM NOVA YORK PARA ASSUNTOS DE POLÍTICAS PÚBLICAS, PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO

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