Falta de veículos paralisa entrega de vacinas, exames e outros serviços em SP

Alguns agentes estão fazendo vistorias até a pé; Prefeitura briga na Justiça com locadora

Diego Zanchetta e Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2011 | 23h18

SÃO PAULO - A falta de transporte paralisa parte dos serviços municipais de entrega de vacinas para postos de saúde, realização de exames de sangue em laboratórios externos, combate à dengue, fiscalização de maus-tratos contra animais, consultas médicas em casa, entre outros.

O problema é reflexo de uma briga judicial entre a Prefeitura e a Brasil Dez - empresa de locação de carros contratada em 2009. A administração acusa a empresa de não cumprir o contrato e oferecer menos de um terço dos 662 veículos exigidos no contrato.

O problema começou na semana passada, quando a Justiça determinou que a Brasil Dez, cujos contratos foram rescindidos em junho pela Prefeitura, voltasse a prestar o serviço a partir do dia 24 de outubro. Mas, segundo o sindicato que representa motoristas da Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa), a empresa tem menos de 200 veículos e os serviços de atendimento à população passaram a ser feitos de maneira parcial.

A pé. Ontem, a reportagem visitou bases da Covisa e de Centros de Controle de Zoonoses espalhados pela cidade. Agentes relataram que a maior parte dos funcionários que precisam dos serviços de transporte tem batido ponto e voltado para a casa. Os poucos que conseguem fazer vistorias e sair a campo estão tendo de utilizar transporte público ou ir a pé. Também já houve casos em que carros das subprefeituras foram deslocados para realização dos atendimentos.

Lapa, Penha, Ermelino Matarazzo, M’Boi Mirim e Santana estão entre os bairros afetados - pelo contrato, a empresa tem de atender 64 bases da Covisa e do Centro de Controle de Zoonoses, com veículos do tipo Gol ou Kombi.

A Brasil Dez foi contratada pela Prefeitura há dois anos, mas a administração não aprovou a qualidade do serviço prestado. Segundo agentes da Covisa, havia bem menos veículos à disposição do que o combinado e alguns deles eram bem antigos - até um Gol 1992 era utilizado para atendimentos.

Desde então, a situação se deteriorou. A Brasil Dez enfrenta hoje 909 processos trabalhistas de ex-motoristas que prestaram trabalho para a empresa. "Nem sabemos mais quem coordena quem agora", disse ao Estado um funcionário de alto escalão da Covisa.

À Justiça, porém, a Brasil Dez argumentou que recebeu pagamentos atrasados e reduzidos da Prefeitura.

Segundo funcionários da Covisa, a empresa prometeu à administração normalizar o serviço a partir de hoje, colocando mais carros nas ruas. Ontem, a reportagem não conseguiu localizar nenhum representante da empresa em sua sede, no Parque Continental, em Guarulhos. Também procurou um de seus advogados, mas não houve retorno às ligações até as 20h30.

Já a Prefeitura, que admite que o serviço de transporte está sendo prejudicado, afirmou que vai recorrer da decisão judicial que a obrigou a manter a Brasil Dez prestando esse tipo de serviço. Segundo a administração, carros de outros departamentos serão deslocados para manter os principais serviços da Covisa funcionando.

Demissões. Entre junho e o dia 28 deste mês, quem estava fazendo o serviço de transporte para o governo municipal, em caráter emergencial, era a Transbraçal, empresa que agora ameaça demitir seus 1.100 funcionários que prestavam trabalho à Covisa.

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