Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Falta de vagas prejudica comércio em Moema e Prefeitura estuda rever regra

Vinte estabelecimentos fecharam as portas desde maio, quando foram retirados 3.850 estacionamentos gratuitos; MP cobra mudanças

Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2010 | 00h00

Por um momento, Cláudio Niemer achou que o romantismo havia desaparecido. Sua floricultura, há quase uma década vendendo belas rosas para os apaixonados de plantão no bairro de Moema, zona sul de São Paulo, perdeu metade do movimento de uma hora para outra. Mais do que uma crise nos relacionamentos da cidade, no entanto, a queda nas vendas tem razões bem mais mundanas - a falta de estacionamento.

"Cheguei a doar flores que estavam morrendo, ninguém mais queria comprar", conta Niemer. Desde que a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) proibiu, em maio, o estacionamento em diversas ruas de Moema para melhorar a fluidez do trânsito, o comércio da região diz que foi estrangulado, com prejuízo de 40% a 50% no faturamento. O bairro perdeu 3.850 vagas gratuitas e ganhou 1.072 vagas exclusivas para a Zona Azul - e o estacionamento foi proibido principalmente nas vias mais movimentadas, com mais trânsito e também mais comércio.

A nova dinâmica já aparece na paisagem de Moema - pelo menos 20 estabelecimentos fecharam as portas e exibem placas de "passa-se o ponto".

A Secretaria Municipal de Transportes e a CET receberam várias reclamações dos comerciantes e mais de 200 deles assinaram um abaixo-assinado pedindo mudanças urgentes na legislação. Acionado, o Ministério Público Estadual também pediu providências ao poder público. Pelo menos 30 lojistas, procurados pela reportagem, afirmaram que, se não houver um abrandamento das regras até o mês que vem, as vendas de Natal ficarão comprometidas e a única alternativa será migrar para outro bairro da cidade.

Os moradores também colecionam críticas. "Simplesmente não existe mais como parar o carro em Moema, não dá para ir ao supermercado, tomar um café, nem mesmo convidar amigos para vir em casa", diz a publicitária Yona de Castro. "Os poucos estacionamentos particulares daqui estão aproveitando para achacar os motoristas: aumentaram os preços em quase 100%."

Mesmo afirmando que a mudança trouxe um alívio no trânsito na região de cerca de 40%, os órgãos públicos agora estudam possíveis alternativas para não prejudicar ainda mais o comércio. "A CET informa que está avaliando as sugestões feitas por representantes de moradores e comerciantes do bairro", diz a nota oficial da Prefeitura. "É importante ressaltar que a CET necessita fazer uma avaliação detalhada do assunto para evitar prejuízos aos diversos segmentos do bairro. O programa de reengenharia de tráfego foi concebido com base em estudos que consideravam os gargalos de trânsito, assim como a democratização do uso do espaço público. A nova regulamentação de estacionamento trouxe um aumento de fluidez da ordem de 40% nas principais vias afetadas, com reflexos no entorno, superando os resultados previstos pela CET. Mesmo assim, a CET pode fazer ajustes, caso seja comprovado que será melhor para a comunidade da região."

Blogs. Há 18 anos com uma papelaria no número 1.332 da Alameda dos Maracatins, o comerciante Renato Negri Filho tentou até mesmo construir uma vaga na porta de sua loja, mas não obteve sucesso. "O pessoal está evitando o bairro, a queda é tremenda, perdi 40% do faturamento", afirma. "Aqui proibiram totalmente o estacionamento, e sempre tem um agente da CET para multar. É a pior crise que já passei, não vai dar para aguentar muito tempo assim."

Outros moradores e lojistas já até criaram sites e blogs para externar as reclamações. "Não estamos sendo radicais, apenas pedindo uma flexibilização", diz Melhem Skaf, diretor do Movimento de Moradores e Comerciantes de Moema. "Por que não permitir o estacionamento apenas de um lado da avenida? É preciso bom senso para o bairro voltar a ter sua dinâmica."

PRINCIPAIS RESTRIÇÕES

Estacionamento proibido nos dois lados da via

Alameda dos Arapanés, entre as Avenidas República do Líbano e Bem-te-vi

Alameda dos Maracatins, entre as Avenidas Indianópolis e Chibarás

Al. dos Maracatins, entre as Avenidas Moema e Jandira

Al. dos Maracatins, entre as Avenidas Jurucê e Aratãs

Al. dos Nhambiquaras, entre as Avenidas Açocê e Jandira

Alameda Jauaperi, entre as Avenidas Agami e Juriti

Avenida Cotovia, entre Rua Tuim e Alameda Jauaperi

Avenida dos Eucaliptos, entre Avenida Santo Amaro e Alameda dos Arapanés

Avenida Moema, entre Avenida Jurupis e Alameda dos Anapurus

Avenida Rouxinol, entre Avenida Santo Amaro e Alameda dos Arapanés

Avenida Sabiá, entre Alameda Canário e Alameda dos Arapanés

Rua Canário, entre Avenida República do Líbano e Avenida Min. Gabriel de Resende Passos

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