Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Falta de vagas em estacionamentos aumenta multas em aeroportos de SP

Agentes de trânsito e policiais flagram 76 infrações em média por dia em Cumbica e Congonhas, o equivalente a três por hora

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2011 | 00h00

Com a superlotação e pouca infraestrutura dos aeroportos de São Paulo, não é só o passageiro que sofre - amigos ou parentes que costumam deixar ou buscar alguém nos terminais são multados por estacionar em local proibido. Em Cumbica, em Guarulhos, Grande SP, e Congonhas, zona sul da capital, as Polícias Rodoviária Federal e Militar e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) aplicam 76 multas por dia - 3 a cada hora.

Só em Congonhas, as multas cresceram 31% em 2010 em comparação com 2009. As infrações são sempre as mesmas: estacionamento irregular em área de embarque e desembarque, parada em fila dupla, e, no caso de Cumbica, há quem deixe o carro no acostamento da estrada que leva até o aeroporto. A Rodovia Hélio Smidt tem 5 quilômetros e, de janeiro até a semana passada, já tinha aparecido na notificação de infração de 1.728 motoristas que pararam ali para esperar alguém que chegava de viagem.

"Já rodei no estacionamento, não tem vaga. Fiz o retorno duas vezes e minha mulher ainda não chegou. Então decidi esperar aqui mesmo", disse o administrador de empresas Roberto Souza Pereira, de 52 anos, no início da semana passada, parado no acostamento. "É rapidinho", justificou ele, que nunca foi multado.

A mesma sorte não teve a psicóloga Neusa Maria Villar, de 45 anos, "Já levei uma multa porque larguei o carro aqui para ir buscar meu filho. Estava com pressa mesmo, admito, e não tive paciência de procurar uma vaga", afirma ela, que agora adota outra tática. "Não espero mais ninguém. Até venho buscar, mas a pessoa tem de ficar me esperando no desembarque."

Perigo. Além de um prejuízo que pode ser de R$ 53,10 a R$ 127,69, estacionar no acostamento da estrada naquela região tem um agravante: é área de cabeceira de pista, por onde os aviões passam voando baixo até pousar. Existe uma placa de alerta, mas ela é ignorada por muitos motoristas, principalmente nos horários de pico, quando há mais infrações: entre as 6h e as 9h e entre 17h e 20h

"A gente autua, remove o veículo e quando volta já tem outro parado no mesmo lugar", afirma o inspetor da Polícia Rodoviária Federal Vanderlei Dias. "Infelizmente o estacionamento (do Aeroporto de Cumbica) é insuficiente. Mesmo os particulares da região ficam lotados", afirma.

Já nas áreas de embarque e desembarque de Cumbica, as autuações são feitas pela PM - lá, a média é de 56 multas diárias, 40 só por estacionamento irregular. Ali só podem estacionar táxis e veículos de fretamento, como vans. Carros particulares podem apenas parar para o passageiro descer ou embarcar.

Congonhas. No Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulista, situação se repete: o número de multas por estacionamento irregular subiu de 537 para 706 em um ano na Praça Comandante Lineu Gomes, em frente ao terminal. O taxista Reginaldo Silva, de 47, já foi multado "algumas vezes" por parar em fila dupla para deixar passageiro. "E tem jeito? O sujeito está com pressa, não onde parar."

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