Eugenio Moraes/Hoje em dia
Eugenio Moraes/Hoje em dia

Falta de pessoal faz Webjet cancelar voos; vendas estão suspensas até sexta

2/3 das viagens tiveram atrasos ou foram canceladas, após perda de copilotos para rivais; suspensão pode ser prorrogada pela Anac

Rodrigo Brancatelli, Melina Costa, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2010 | 00h00

Na reprise da crise que atingiu os aeroportos em agosto, a Webjet cancelou ontem quase metade dos voos por problemas na escala de trabalho dos funcionários. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) decidiu intervir e suspendeu a venda de bilhetes da companhia para voos programados até sexta-feira. O prazo ainda pode ser estendido, caso a Webjet não ajuste a escala.

Apenas 40 dias após a Gol sofrer o mesmo problema, 36,4% dos voos da Webjet foram cancelados até 22h - número que chegou a 40,6%, às 18h. Outros 28,8% registraram atraso de mais de meia hora. A companhia afirmou que foi obrigada a reduzir os voos na última semana para cumprir a legislação.

Pela Lei do Aeronauta, e por questão de segurança, um tripulante não pode exceder 85 horas de voo por mês. A Anac informou que a Webjet já havia sido multada em R$ 225 mil por causa de desobediência à escala, mas considera que a situação deve ser rapidamente normalizada. "Acreditamos que seja um problema pontual", diz Juliano Noman, superintendente de Regulação Econômica da Anac.

Perda e pane. O principal motivo da crise foi a perda de copilotos para a concorrência - conforme executivos do setor, a debandada começou no mês passado. O número elevado de cancelamentos registrado ontem já era até previsto pelos executivos da companhia. Diante da dificuldade de formar novos copilotos, a Webjet começou a entrar em contato com passageiros no início do mês - para avisar sobre o remanejamento de voos. Atualmente, a empresa trabalha para contornar a crise; a companhia contratou 64 copilotos, mas o treinamento foi atrasado em dez dias diante de uma pane em um simulador de voo.

A Webjet também está implementando um plano de corte de custos e teve em agosto autorização para reduzir de quatro para três o número de comissários de bordo em seus voos. A empresa é a quarta maior do setor, com 5,8% do mercado. A reportagem apurou que, depois de quase um ano sem investimentos na frota, a empresa deve retomar os planos de crescimento e planeja trazer três novas aeronaves, além de abrir rotas. Atualmente, a média de idade dos aviões é de 17 anos, quase o triplo da dos concorrentes - ontem, uma aeronave teve de passar por manutenção não programada, o que complicou ainda mais a malha.

"Com base nas denúncias que recebemos, a Webjet está desrespeitando a jornada de trabalho dos aeronautas, e isso ocorre porque eles perderam funcionários para outras empresas", diz a diretora do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio. "Isso acontece quando a empresa paga salários fora da média do mercado. Há muitas queixas de salário na Webjet, principalmente para comissários e copilotos, além de não pagarem benefícios, como o fundo de previdência complementar."

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