Falta de patrocínio fecha estações de bicicleta no Metrô

12 das 17 paradas estão sem atendimento; segundo companhia, instituto responsável pelo serviço teve 'problemas de gestão'

CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2013 | 02h01

Se já era complicado, ficou um pouco mais difícil se locomover de bicicleta na cidade de São Paulo. Um dos principais projetos para integrar as magrelas ao sistema público de transportes, a rede de bicicletários do Metrô está parcialmente fechada desde o fim de 2012. Das 17 estações em que o serviço era oferecido, as atividades se encerraram em 12, deixando muitos ciclistas sem opção de empréstimo ou de estacionamento para suas bikes.

É o caso da professora Miriam Ferrari, de 43 anos, que guardava a bicicleta no posto de atendimento da Estação Vila Madalena, na Linha 2-Verde, já fora de operação. Para ela, o fechamento mostra o descaso do poder público com quem anda sobre duas rodas na capital. "Vai na contramão até da tentativa de melhorar a fluidez dos carros, pois desestimula motoristas que poderiam ir de bike."

Jornaleiro em uma banca ao lado do bicicletário desativado, Carlos Orlei, de 59 anos, conta que o espaço deixou de existir de repente há dois meses e que muita gente ainda é pega de surpresa. "Tem quem chega de bicicleta para guardá-la e acaba tendo que acorrentá-la na árvore da calçada." O movimento de ciclistas, afirma, era considerável no posto, que abriu em 2008.

Com o término do serviço, pichações foram feitas na estrutura de metal que abrigava o bicicletário. "Assim abandonado, degrada o entorno", comenta a publicitária Camila Laguzzi, de 27 anos, que trabalha na região.

As outras estações que enfrentam problemas semelhantes são Sé, Brás, Carrão, Corinthians-Itaquera, Santa Cecília e Marechal Deodoro, na Linha 3-Vermelha, e Vila Mariana, Paraíso, Santana, Liberdade e Armênia, na Linha 1-Azul. Nelas, os pontos de aluguel e parada de bicicletas fecharam as portas ao longo dos últimos meses.

O Metrô alega que, "por problemas de gestão", o Instituto Parada Vital, ONG responsável pela manutenção dos bicicletários, "não cumpriu o acordo que tinha, (...) deixando de oferecer o serviço em algumas estações". Procurada, a instituição informou que "ficou momentaneamente sem patrocinador" e, por isso, teve que fechar os bicicletários de modo temporário. Também disse que a reabertura está prevista para fevereiro.

Entretanto, a Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos, que administra o Metrô, divulgou que ela própria "busca novos parceiros para a oferta do serviço". Um plano de contingência faz com que os bicicletários operem em cinco estações: Anhangabaú, Palmeiras-Barra Funda e Guilhermina-Esperança, na Linha 3, Butantã, na Linha 4-Amarela, e Jabaquara, na Linha 1-Azul. Nas três primeiras, só é possível estacionar as bicicletas. Nas demais, também se oferece o empréstimo.

O aluguel é feito depois de um cadastro, que requer a apresentação de cópia e original de um documento com foto, comprovante de residência e cartão de crédito. A primeira hora é grátis, mas as outras têm um custo de R$ 2 cada. Ainda há bicicletários na PUC, na zona oeste, em São Mateus, na zona leste, e em Santo André, no ABC.

Retrocesso. Para o cicloativista Willian Cruz, de 39 anos, que mantém o site Vá de Bike, a situação configura um "retrocesso" das políticas de estímulo ao uso das magrelas em São Paulo.

"Os bicicletários são muito importantes porque, diferente dos carros, você não pode parar a sua bicicleta em qualquer lugar, porque os furtos são comuns. Ainda mais sendo no Metrô, essa é uma situação que precisa ser resolvida rápido. Muita gente usa esses espaços para guardar a bike e ir trabalhar."

No ano passado, só nos bicicletários fechados, foram feitos cerca de 22 mil empréstimos.

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